Conde Alemán v72

IGR: 0095. Versión: 72. Rima: estróf.. Hemistiquios 46.

Portugal s. l. (Portugal)

Já o sol dá nas vidraças,    já lá vem o claro dia,
já o Conde d` Alemanha    com a rainha dormia.
Não no sabia el-rei    nem nas cortes se dizia,
só o sabia a infanta,    qu` ela era sua filha.
As mangas deste vestido    eu as não chegue a coser,
em o papá vindo da missa,    se lho eu não for dizer!
Cala-te lá, minha filha,    deixa o Conde adevertir,
que o Conde é muito rico,    de ouro te há-de vestir.
Não quero vestidos d` ouro,    cá os tenho de amasco,
`inda tenho meu pai vivo,    já me querem dar padrasto!
As mangas deste vestido,    eu as não chegue a talhar,
em o papá vindo da missa,    se lho eu não for contar!
Ande cá, ó meu paizinho,    tenho muito que lhe contar.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
`stando eu no meu tear    tecendo seda amarela,
veio o Conde da Alemanha,    três fios me quebrou nela.
Cala-te lá, minha filha,    manda-me pôr de jantar,
qu` ele o Conde é muito novo,    gosta muito de brincar.
Mal o hajam nos seus brincos,    que têm tão reles brincar!
Por um braço me pegou    para à cama me levar.
Cala-te lá, minha filha,    manda-me pôr de jantar,
qu` amanhã por estas horas    já o mando degolar.
Ande cá, ó minha mãe,    veja s` aqui pode chegar,
venha ver o condito,    já o vão a degolar.

Otros datos:
Nota de J. L. de Vasconcelos: -9b de damasco.

Bibliografía:
Recogido antes de 1958. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 153. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 851, pp. 71-72. © Fundação Calouste Gulbenkian.