IGR: 0095. Versión: 72. Rima: estróf.. Hemistiquios 46.
Portugal s. l. (Portugal)
Já o sol dá nas vidraças, já lá vem o claro dia,
já o Conde d` Alemanha com a rainha dormia.
Não no sabia el-rei nem nas cortes se dizia,
só o sabia a infanta, qu` ela era sua filha.
As mangas deste vestido eu as não chegue a coser,
em o papá vindo da missa, se lho eu não for dizer!
Cala-te lá, minha filha, deixa o Conde adevertir,
que o Conde é muito rico, de ouro te há-de vestir.
Não quero vestidos d` ouro, cá os tenho de amasco,
`inda tenho meu pai vivo, já me querem dar padrasto!
As mangas deste vestido, eu as não chegue a talhar,
em o papá vindo da missa, se lho eu não for contar!
Ande cá, ó meu paizinho, tenho muito que lhe contar.
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`stando eu no meu tear tecendo seda amarela,
veio o Conde da Alemanha, três fios me quebrou nela.
Cala-te lá, minha filha, manda-me pôr de jantar,
qu` ele o Conde é muito novo, gosta muito de brincar.
Mal o hajam nos seus brincos, que têm tão reles brincar!
Por um braço me pegou para à cama me levar.
Cala-te lá, minha filha, manda-me pôr de jantar,
qu` amanhã por estas horas já o mando degolar.
Ande cá, ó minha mãe, veja s` aqui pode chegar,
venha ver o condito, já o vão a degolar.