Conde Alarcos v101

IGR: 0503. Versión: 101. Rima: í-a+estróf.. Hemistiquios 80.

Salvaterra do Extremo (c. Idanha-a-Nova, dist. Castelo Branco, Beira Baixa, Portugal)

Vindo a dona Silvana    pelo corredor acima,
tocando numa viola,    muito bem a retinia.
Acordou seu pai na cama    pelo motim que fazia.
O que é isso, ó Silvana?    O que é isso, ó minha filha?
De três irmãs que nós éramos,    estão casadas, têm família,
eu, por ser a mais bonita,    porque razão ficaria?
Já não há gente nas cortes    igual à tua valia.
`Inda está o conde d` Elvas.    Está casado, tem família.
Mande-o chamar, meu pai,    da sua parte e da minha.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
`Inda agora vim das cortes    já me mandaram chamar!
Não sei se será por meu bem    nem se será por meu mal.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Quero que mates a condessa    p`ra casares co` a minha filha.
Como hei de eu matar condessa    se ela a morte não merecia?
Mata conde, mata conde,    não procures demasia.
Quero que me tragas a cabeça    nesta dourada bacia.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Foi o conde para casa    todo cheio de agonia.
Foram-lhe a pôr de jantar    nem um nem outro comia,
as lágrimas eram tantas    que até os pratos enchia.
Conta conde, conta conde,    conta-me a tua agonia!
Se eu te contara, condessa,    de repente morrerias.
Manda el-rei que te mate    p`ra casar co` a sua filha.
Não me mates com navalhas,    nem com espada luzidia,
mata-me com uma toalha,    na minha casa as havia.
Deixa-me dar um passeio    da sala para a cozinha.
Adeus, criadas e criados,    a quem eu tanto queria!
Deixa-me dar um passeio    da sala para o jardim.
Adeus cravos, adeus rosas    que tanto chorais por mim!
Anda cá, filho mais velho,    que te quero ensinar,
amanhã tendes mãe nova,    como lhe haveis de chamar.
De joelhinho em terra,    com o chapeuzinho no ar.
Anda cá, filho do meio,    que te quero ensinar,
amanhã tendes mãe nova,    como lhe haveis de chamar.
De joelhinho em terra    com o chapeuzinho no ar.
Mama filho, mama filho,    este leite de paixão,
amanhã por estas horas    está tua mãe no caixão.
Mama filho, mama filho,    este leite de amargura,
amanhã por estas horas    está tua mãe na sepultura.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Já tocam os sinos das Côrtes!    Ai Jesus! Quem morreria?
Morreu a dona Silvana    pelas traições que fazia,

Otros datos:
40 desapartar os bens casados coisa que Deus não queria.

Nota del editor de RºPortTOM 2001: Omitimos as seguintes didascálias: entre -3 e -4; -6 e -7; -8a e -8b.; -11 e -12; -13 e -14 Rei; entre -4 e 5, -7 e -8, -8 e -9 dona Silvana; entre -9 e -10; -12 e -13; -19 e -20 Conde; entre -18 e -19; -21 e -22 Condessa.

Bibliografía:
Recogido antes de 1942. Publicada en Lopes Dias 1942, 47-50. Reeditada en Lopes Dias 1967b, 45-48 y RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 740, pp. 428-429. © Fundação Calouste Gulbenkian.
[0005 Silvana contam.]