Conde Alarcos v100

IGR: 0503. Versión: 100. Rima: í-a+estróf.. Hemistiquios 67.

Medelim (c. Idanha-a-Nova, dist. Castelo Branco, Beira Baixa, Portugal)

Indo dona Silvana    pelo corredor acima,
tocando numa guitarra    pelo melhor que sabia.
Acordou seu pai da cama    pelo estrondo que fazia.
Que é isso, ó Silvana?    Que é isso agora em ti?
Que há-de ser, ó meu pai?    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
De três irmãs que éramos    estão casadas e têm família,
só eu por ser a mais linda    para casar ficaria.
Já não haverá nas cortes    quem te a ti merecia.
Estava o conde d` Elvas,    a quem eu amava e queria.
O conde d` Elvas    é casado e tem família.
Mande-o chamar, meu pai.    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Que mate Carolina Augusta    para casar com sua filha.
Mando-te chamar, conde d` Elvas,    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
para matares Carolina Augusta    e casares com minha filha.
Como a hei-de matar, senhor,    se ela a morte não merecia?
Mata, conde, mata, conde,    não me voltes demasia;
traz-me aqui a cabeça    nesta dourada bacia.
Mandaram-lhe pôr a mesa,    o conde não comia;
as lágrimas eram tantas    que até os pratos enchia.
Que tens tu, marido meu?    Com tanta falta de alegria?
O nosso rei me chamou    para casar com sua filha,
que levasse a cabeça    nesta amaldiçoada bacia.
Anda cá, meu filho mais velho,    que te quero ensinar,
te querem dar mãe nova,    como a hás-de tratar.
Anda cá, meu filho mais novo,    que o leite te vou dar.
Mama, filho, mama, filho,    este leite de amargura,
que amanhã, por estas horas,    tua mãe na sepultura.
Mama, filho, mama, filho,    este leite amargurado,
que amanhã, por estas horas,    meu corpo estará enterrado.
Acabadas estas palavras,    seu corpo le adormeceu,
entregou-se à paixão,    fechou os olhos, morreu.
Tocam-se os sinos em Braga.    Ai Jesus! Quem morreria?!
Morreu Carolina Augusta    de morte que não merecia.
Tocam-se os sinos em Braga.    Ai Jesus! Quem morreria?
Morreu Carolina Augusta    à hora do meio dia.

Bibliografía:
Recogido antes de 1958. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 204-205. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 739, p. 427. © Fundação Calouste Gulbenkian.
[0005 Silvana contam.]