Ciego raptor v63

IGR: 0189. Versión: 63. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 44.

Pragança (c. Cadaval, dist. Lisboa, Estremadura, Portugal)

Abra-me a porta,    chegue-se `ó postigo,
atire-me c` um lencinho,    qu` eu venho todo ferido.
Se vem todo ferido,    isso muito embora,
o meu postiguinho    não se abre agora.
Se não se abre,    para mim se há-de abrir;
sou um pobre    que venho pedir.
Levante-se, minha mãe,    do seu doce dormir,
se quer ouvi` lo cego    cantar e pedir.
Se ele canta e pede,    dá-le pão e vinho,
para o pobre cego    segui` lo caminho.
Eu não quero o pão,    nem tão-pouco o seu vinho,
só quero que a Anica    me ensine o caminho.
Alevanta-te, Anica,    pega no e no linho,
vai ensinar o cego    por esse caminho.
Adeus, meu pai,    adeus, minha terra,
adeus, minha mãe,    que tão falsa me era!
Valha-me Deus    e a Virgem Maria,
nunca vi peças    de artilharia!
Se nunca vistes    `tás agora a ver,
minha condessinha,    dá-te a conhecer.
De condes e marqueses    me vi perseguida,
a um triste cego    me vejo rendida!

Otros datos:
Nota: -13b pega no (sic).

Bibliografía:
Recogida en 1893. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 101. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1109, p. 311. © Fundação Calouste Gulbenkian.