IGR: 0189. Versión: 63. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 44.
Pragança (c. Cadaval, dist. Lisboa, Estremadura, Portugal)
Abra-me a porta, chegue-se `ó postigo,
atire-me c` um lencinho, qu` eu venho todo ferido.
Se vem todo ferido, isso muito embora,
o meu postiguinho não se abre agora.
Se não se abre, para mim se há-de abrir;
sou um pobre que venho pedir.
Levante-se, minha mãe, do seu doce dormir,
se quer ouvi` lo cego cantar e pedir.
Se ele canta e pede, dá-le pão e vinho,
para o pobre cego segui` lo caminho.
Eu não quero o pão, nem tão-pouco o seu vinho,
só quero que a Anica me ensine o caminho.
Alevanta-te, Anica, pega no e no linho,
vai ensinar o cego por esse caminho.
Adeus, meu pai, adeus, minha terra,
adeus, minha mãe, que tão falsa me era!
Valha-me Deus e a Virgem Maria,
nunca vi peças de artilharia!
Se nunca vistes `tás agora a ver,
minha condessinha, dá-te a conhecer.
De condes e marqueses me vi perseguida,
a um triste cego me vejo rendida!