IGR: 0189. Versión: 64. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 42.
Azenhas do Mar (c. Sintra, dist. Lisboa, Estremadura, Portugal)
Era meia-noite quando o ladrão veio
bater três pancadas à porta do meio.
Abre-me essa porta, abre-me o postigo,
empresta-me um lenço que eu venho ferido.
Se você vem ferido, vá-se já embora,
que a minha portinha não se abre agora;
não se abre agora, nem se há-de abrir,
que a minha mãezinha está a dormir.
Acorda, mãezinha, se estás a dormir,
está aqui um cego que anda a pedir!
Se ele anda a pedir, dá-lhe pão e vinho,
se ele não quiser, siga o seu caminho.
Não quero o vosso pão, nem o vosso vinho;
quero que a Vitorina me ensine o caminho.
Anda, Vitorina, sejas bem mandada,
vai com o pobre cego ensinar-lhe a estrada!
Anda, meu ceguinho, anda mais ali,
que estão os criados à espera de ti;
anda, meu ceguinho, anda mais além.
Adeus, minha terra, adeus, minha mãe.
Não me chames cego que eu vejo bem.