Ciego raptor v61

IGR: 0189. Versión: 61. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 67.

Elvas (c. Elvas, dist. Elvas, Alto Alentejo, Portugal)

Abram-se as portas,    fecham-se os postigos,
menina, dê-me um lenço    que já venho ferido.
Se o senhor vem ferido,    venha muito embora,
que as minhas portinhas    não se abrem agora.
Acorde, minha mãe, acorde,    se está dormindo,
pois temos à porta    um cego pedindo.
Se ele está pedindo,    dá-lhe pão e vinho
e diz-lhe, depois,    que siga o caminho.
Não quero do seu pão,    não quero do seu vinho,
quero que a menina    me ensine o caminho.
Agarra a tua roca,    também o teu linho,
vai, Maria, vai,    vai com o ceguinho.
Acabou-se o linho    de duas rocadas,
vai, vai, ceguinho,    que ali está a estrada.
Eu já não sou cego,    eu já vejo bem,
venha, menina, venha,    venha até além.
. . . . . . . . . . . .    ao cimo da estrada
além é que a menina    vai ser desgraçada.
Eu já não sou cego,    já é claro dia,
sou o tal rapaz    que a menina não queria.
Se meu pai soubera    me vinham matar.
O que correria    para me salvar!
Antes que eu grite    e torne a gritar,
pelo meio dos mato    s me vão a matar.
Rua das três quinas,    do meu desengano,
adeus, minha avó    e irmão de três anos.
Adeus, meu jardim,    adeus, jardineiro,
adeus, minha tia,    e meu amor primeiro.
Adeus, minhas casas,    adeus, minhas janelas,
adeus, minha mãe,    que tão falsa me eras.
O meu bem amado    me andava a dizer
que sonhava com penas    que penas vinham a ser.
Maria Isabel    me andava a avisar
e eu tão mocinha    sem a acreditar.
Variante: -1b fechem-se (1920).    

Otros datos:
Nota: -21b vinham (sic).

Bibliografía:
Recogido antes de 1902. Publicada en Pires 1899-1902, (reed. 1982) 143-144; Pires 1920, 178-180 y Pires 1986, 126. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1107, pp. 309-310. © Fundação Calouste Gulbenkian.