Ciego raptor v60

IGR: 0189. Versión: 60. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 48.

Povo de S. Vicente (c. Elvas, dist. Portalegre, Alto Alentejo, Portugal)

Abram-se as portas,    fechem-se os postigos,
amor, dá-me um lenço,    que eu venho ferido.
Se você vem f`rido,    venha muito embora,
as minhas portinhas    não se abrem agora.
Qual é o vadio    que a estas horas vem?
Eu estou em anáguas,    não falo a ninguém.
Acorde, minha mãe,    acorde de dormir,
ouvirá o cego    cantar e pedir.
Se ele canta e pede,    dá-lhe pão e vinho,
vai, ó minha filha,    ensina-lhe o caminho.
E pega na roca    e também no linho
e vai, minha filha,    ensina-lhe o caminho.
A roca suspira,    o linho se acaba,
anda, triste cego,    que além vai a estrada.
Anda mais, menina,    ande mais além,
que eu não tenho vista,    não sinto ninguém.
Adeus, minha terra,    meus amores primeiros,
que eu cá vou co`    o cego por esses oiteiros.
Dê-lhe a despedida    se lha quiser dar
e à Virgem Maria,    que está no altar.
Eu a despedida    dá-la não posso,
que o meu coração    está unido ao vosso.
Dou graças a Deus    e à Virgem Maria,
que já me trouxe à mão    o que eu lhe pedia.

Bibliografía:
Recogido antes de 1901. Publicada en Pires 1900-1901a, 226-229 y Pires 1986, 136. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1106, pp. 308-309. © Fundação Calouste Gulbenkian.