La serrana de la Vera v35

IGR: 0233. Versión: 35. Rima: é-a. Hemistiquios 32.

Bragança s. l. (dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Naquela serra alta,    naquela mais alta serra,
anda lá uma serraninha    mais linda que a Primavera.
De espingarda às costas,    a modo de caçadeira,
de cabelo entrançado,    por cima uma monteira,
viu andar um pastorinho    com o gado numa ribeira.
Queres tu, ó pastorinho,    vir comigo para a serra?
O teu gado, pastorinho,    eu to arresponsera.
Que é isto, serraninha,    tanta cruz pela serra?
Sete homens tenho morto,    e a ti, também, se eu quisera.
A serraninha fez a ceia,    o pastorinho não ceera
A serraninha fez a cama;    o pastorinho não se deitera.
Lá por meio da noite    o pastorinho se raspera.
Acordou a serraninha,    o pastorinho não achera;
quando foi a reparar,    ia longe légua e meia.
Atirou-lhe uma fundada,    raspou-lhe por uma orelha;
tornou-lhe a segundar,    atirou com ela a terra.

Otros datos:
Nota: los editores imprimen en cursiva: -7b arresponsera; -10b ceera; -11b deitera; -12b raspera; -13b achera.

Bibliografía:
Recogido antes de 1960. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 162-163. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1045, p. 250. © Fundação Calouste Gulbenkian.