La serrana de la Vera v36

IGR: 0233. Versión: 36. Rima: é-a. Hemistiquios 38.

Carragosa (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Naquela serrinha alta,    naquela mais alta serra,
mora lá uma serraninha,    linda era a granadeira;
quando quer tomar amores,    baixa-se àquela ribeira;
quando quer tomar o fresco,    sobe-se ao alto da serra.
Avistou um pastorzinho    co` o gado numa lameira.
Queres tu, ó pastorzinho,    vires comigo p`r`à serra?
Tenho medo, ó senhora,    que o meu gado se me perca!
O teu gado, pastorzinho,    eu to arresponsera.
A serrana foi andando    e o pastor fora `trás dela.
Que é isto, ó serrana,    tanta cruz por esta serra?
Dos homes que eu tenho matado,    e a ti, tamém, se eu quisera!
Passou a noute a brincar,    de manhã se adormecera;
quando a serrana acordou,    o pastor de légua e meia.
Anda cá, ó pastorzinho,    que aqui fica a melhor ovelha!
`Indas que ela fosse d` oiro,    eu não voltava por ela!
Atirou-lhe uma lapada,    derrubou-lhe uma orelha;
foi-lhe a segundar outra,    logo o botara em terra.
Ah, senhor juiz de fora,    faz a justiça na terra!
Que é o desinço dos homens    que fáim falta nesta terra.
Nota de J. L. Vasconcellos: -2b Por ganadera (?)    
Nota: Vasconcellos imprime en cursiva: -2b granadera (en nota: «por ganadera») ; -8b arresponsera; -9b trás; -11a homes; -11S tamém; -15a indas; -17b botara; -19b fáim.    

Otros datos:
Nota del editor de RºPortTOM 2003: Omitimos as seguintes didascálias: entre -13 e -14 Quando o pastor tinha fugido e já ia a légua e meia de distância ela disse-lhe; entre -15 e -16 À distância de légua e meia atirou-lhe uma lapada. Por lapso os editores de Leite de Vasconcellos 1958-1960, II consideraram esta versão de Carregosa, (concelho de Oliveira de Azeméis) quando a sua proveniência deverá ser de Carragosa, (concelho de Bragança).

Bibliografía:
Recogida en 1932. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 165-166. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1046, pp. 250-251. © Fundação Calouste Gulbenkian.