La serrana de la Vera v34

IGR: 0233. Versión: 34. Rima: é-a. Hemistiquios 28.

Baçal (c. Bragança, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Naquela serrinha alta,    naquela mais alta serra,
vive uma rica serrana,    serrana enganadeira;
quando quer tomar amores,    baixa abaixo à ribeira,
co` a espingarda ao ombro,    à moda de caçadeira.
Lá no meio do caminho    um pastorinho encontrara.
Queres tu vir, ó pastorinho,    comigo p`r`à minha serra?
Como irei eu, senhora?    Meu gado quem o guardera?
O teu gado, bom pastor,    eu te lo arresponsera.
Tanto brincaram de noite,    de manhã s` adormeceram.
Quando a serrana recordou,    pastor ia légua e meia.
Aguarda tu, bom pastor,    que te queda uma ovelha.
Antes qu` ela d` ouro fora,    eu por ela não volvera.
Atirou-le uma pedrada    e derrubou-le uma orelha;
atirara-le mais outra    e logo ali a deixera.
Variantes anotadas en RºPortTOM 2003: Editamos Marques 1985, por ter corrigido Leite de Vasconcellos 1958-1960, II a partir dos manuscritos do Abade de Baçal.    
Nota del recolector: «Na comédia de Rubena, de Gil Vicente, uma das interlocutoras tem o nome de serrana. Pelos modos, o pastor ia escamado, parece que a tal serrana era da laia da Manteigns de que fala Bocage.» (Ms. nº 6, f. 3, v. 4).    

Otros datos:
Nota: Vasconcellos imprime en cursiva: -7b guardera; -8b lo arresponsera; -10a recordou; -13ab y 14a le; -14b deixera.

Bibliografía:
Recogida por Pe. Francisco Manuel Alves (abade de Baçal), 1902. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 162. Reeditada en Marques 1985, 646 y RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1044, pp. 249-250. © Fundação Calouste Gulbenkian.