La Infantina+Caballero burlado v40

IGR: 0164+0100. Versión: 40. Rima: í-a. Hemistiquios 36.

Foz do Douro (c. Porto, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)

Indo um cavaleiro à caça,    à caça de altanaria,
lá chegando ao alvoredo    viu estar uma donzila.
Que fazeis aí, senhora,    que fazeis aqui, donzila?
Sete fadas me fadaram    no ventre duma mãe minha,
de eu aqui estar sete anos,    sete anos e mais um dia.
Sete anos são acabados,    hoje se acaba o dia;
se quereis, ó cavaleiro,    levai-me por companhia.
Não me leveis por senhora,    não me leveis por donzila;
levai-me por estrangeira    que achais na terra perdida.
Montai-vos aqui, senhora,    montai-vos aqui, donzila,
ou nas ancas ou na sela,    onde for mais honra minha.
Montou-se logo a donzela,    foi seguindo o seu caminho;
lá chegando à estrada    de risos o acometia.
De que se ri, ó menina,    de que se ri, ó donzila?
Rio-me do cavaleiro    e da sua cobardia,
de achar menina na serra    e lhe guardar cortesia.
Deixai-me agora chorar,    olhai a minha mofina!
Oh, quem perdeu o que eu perco    grande pena merecia.

Bibliografía:
Recogido antes de 1867. Publicada en Braga 1867a, 28-29. Reeditada en Harding 1887, I. 54-55; RGP I 1906, (reed. facs. 1882) 234-235 y RºPortTOM 2004, vol. 4, nº 1311, pp. 67-68. © Fundação Calouste Gulbenkian.