IGR: 0164+0100. Versión: 41. Rima: í-a. Hemistiquios 48.
Porto (c. Porto, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)
Indo o nosso rei à caça por aquela serra acima,
avistou uma donzela que nesse monte vivia.
Que fazeis aqui, donzela, que fazeis, ó donzelinha?
Sete fadas me fadaram por sete anos e um dia;
hoje fìndam os sete anos, amanhã se acaba o dia.
O homem que me levasse logo aqui ficaria;
o cavalo donde eu fosse logo arrebentaria;
a fonte adonde eu bebesse, ela logo secaria.
Explicai-me vós, donzela, explicai-me, ó donzelinha,
quem é a vossa família e de quem sois descendida.
Sou filha do rei de França e da rainha da Hungria.
Esperai aí, donzela, esperai, ó donzelinha,
que ficou meu espadim na fonte aonde eu bebia.
Se o seu espadim é de prata, meu pai de oiro lho daria,
que as janelas de meu pai de oiro são e prata fina.
Abra as portas, ó meu pai, abra-as com grande alegria,
julguei que trazia nora, trago-lhe uma sua filha.
Assenta-te aqui, donzela, assenta-te, ó filha minha.
Explica-me, há sete anos, onde era que tu vivias?
Eu vivia na montanha, com prazer e alegria.
Já tenho com quem te case, com pessoa igual à minha.
Ai não, senhor, ó meu pai, que essa tenção eu não tinha!
Vou viver para a montanha, com prazer e alegria,
todas as feras e lobos comigo a Deus orariam.
Nota del editor de RºPortTOM 2004: Editamos Leite de Vasconcellos 1958-1960.