IGR: 0164+0100. Versión: 39. Rima: í-a. Hemistiquios 47.
Penafiel (c. Penafiel, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)
Caçador que vai à caça, à caça vai vida minha;
seu perro leva alcançado, seu calvão perdido ia;
viu estar uma senhora, viu estar uma donzela.
Que fazeis aqui, senhora, que fazeis aqui, donzela?
Sete fadas me fadaram no ventre duma mãe minha,
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .] por sete anos e um dia;
ontem acabaram os anos, hoje se acaba o dia.
Quereis vós, senhora donzela, voi na minha companhia?
Copo donde eu bebesse de repente estoiraria;
prato donde eu comesse, de repente quebraria;
cavalo donde eu montasse, de repente rebentaria.
Cavalgai aqui, senhora, cavalgai aqui, donzela.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
De que vos rides, senhora, de que vos rides, donzela?
Rio-me de ti, cobarde, e da tua cobardia;
achaste-le a nina no monte e guardaste-lhe cortesia.
Tornemos atrás, senhora, tornemos atrás, donzela;
que a espora do meu cavalo lá no monte ficaria.
Adiante, cavaleiro, qu` eu atrás não tornaria;
se a espora era de prata, meu pai d` ouro lha daria,
qu` ele tem tanto dinheiro que às rasas o mediria.
Sou filha do rei de França, da rainha Constantina;
minha mãe dona Joana, minha avó dona Maria.
Ai, pobre de mim, coitado, triste de mim, que fazia!
Cuido que trago esposa e trago uma mona minha!