IGR: 0164+0100. Versión: 30. Rima: í-a. Hemistiquios 46.
Salselas (c. Macedo de Cavaleiros, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Eu montei no meu cavalo por aquela serra acima.
Lá no meio da serra, meus olhos lancei acima;
avistei uma donzela, uma donzela mui` linda.
Que fazes por aqui, donzela, que fazes por aqui, menina?
Estou cumprindo os sete fados que me deitou minha madrinha.
Monta aqui no meu cavalo, ou na anca, ou na silha.
Na silha, não, cavaleiro, porque não é cortesia;
na anca, sim, cavaleiro, com honra da tua família.
Lá no meio do caminho, a donzela se sorria.
De que te sorris, donzela, de que te sorris, ó menina?
Sorrio-me do cavaleiro e mais da sua cortesia.
Volta atrás, ó meu cavalo, minha espora é perdida.
Não voltes, não, cavaleiro, não uses de tirania.
Se a espora era de prata, meu pai d` ouro ta daria.
Quem é o teu pai, donzela, quem é o teu pai, menina?
Quem é o teu pai, ó donzela, que tanto ouro tenia?
Meu pai é rei da França; minha mãe, dona Maria.
Pelas novas que me estás dando, tu és uma irmã minha.
Avança, avança, cavalo, avança, com valentia.
Abram-se esses portões, que bela paz e alegria!
Cuidei que trazia a esposa e trago uma mana minha.
Deixasse-la ficar, meu filho, que ela não estava perdida;
estava cumprindo os fados que lhe deitou a madrinha.