IGR: 0164+0100. Versión: 31. Rima: í-a. Hemistiquios 48.
Maçores (c. Torre de Moncorvo, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Indo um caçador à caça, caçando com maravilha,
seus perros iam cansados, seus falcões perdidos iam,
arrumou-se a uma árvore das mais altas que lá havia,
onde viu então estar uma mui` linda donzilha.
Que fazes aí, donzela, que fazes aí, menina?
Sete fadas me fadaram no ventre de madre mi`a,
que estivesse aqui sete anos, sete anos e mais um dia.
Hoje se acabam nos sete anos, amanhã se acaba o dia.
Esperai, esperai, cavaleiro, eu convosco ir queria,
ou na sela ou na anca e na vossa companhia.
De que se ri a donzela, de que se ri a menina?
Rio-me do cavaleiro e da sua bizarria.
Achou Aninhas no monte e guardou-lhe cortesia!
Atrás, atrás, meus cavalos, até à fonte d` água fria,
ficou-me lá uma espada metida ne la bainha!
Adiante, mi` cavalo, que atrás não volveria!
Se tua espada é d` aço, meu pai d` ouro ta daria;
eu sou filha dum prateiro, o melhor que tem Sevilha;
sou filha d` el-rei de Espanha e da rainha Constantina.
Se tu me falas verdade, és uma hermana minha.
Abram-se esses palácios, abram-se com alegria;
pensei que traria esposa e trago uma hermana mi`a.
Se ela é minha nora, que entre por esses palácios;