Señas del esposo v298

IGR: 0113. Versión: 298. Rima: á-a+í. Hemistiquios 70.

Ourique (c. Ourique, dist. Beja, Baixo Alentejo, Portugal)

Estando uma bela princesa    no seu jardim assentada,
deitando os olhos ao mar    viu vir uma grande armada.
Capitão que nela vinha    muito bem a governava.
Diga-me o meu capitão,    diga-me pela sua alma,
se lá viu morto na guerra    uma prenda que eu estimava.
Diga-me, ó minha senhora,    os sinais que ele levava.
Levava cavalo branco,    cavalo branco levava,
levava uma cruz de ouro    na ponta da lança atada.
Pelos sinais que vós dá    lá o vi morto na guerra.
Detrás dum pinheiro, os seus,    sepultura lhe fizeram.
Ai de mim, triste viúva!    Ai de mim, triste coitada!
Que morreu o meu marido,    já no mundo não sou nada.
Quanto deras vós, senhora,    a quem vos trouvera aqui?
Todo o dinheiro que eu tenho    todo te eu dera a ti.
Não quero o seu dinheiro    que me não pertence a mim.
Que darias mais senhora,    a quem vos trouvera aqui?
De três moinhos que eu tenho,    todos três os dera a ti:
um mói cravo, outro canela,    o outro a folha do jasmim.
Eu não quero os seus moinhos,    que me não pertence a mim.
Que darias mais senhora,    a quem vos trouvera aqui?
De três filhas que eu tenho,    novas, três te dou a ti:
uma p`ra te descalçar,    outra para te despir,
e a mais bonita que achar    para convosco dormir.
Não quero as suas filhas    que me não pertence a mim.
Que darás mais, senhora,    a quem vos trouver aqui?
Não tenho mais que te dar    nem vós mais que pedir.
Eu queria de vós, senhora,    era o seu corpo gentil.
Ó maroto que tal pede    que tal se astreve a pedir!
Altos, altos, meus criados,    venham todos já aqui
atem-no ao rabo do meu cavalo,    corram pelo meu jardim.
Veja lá minha senhora,    veja lá se está lembrada,
de um anel d` ouro que eu parti    numa cadeira assentado.
Mostre-me a sua ametade    que a minha vê-la aqui.
Se vós eras meu marido,    para que me tratas assim?
Eu estava a ver, ó menina,    o amor que eu tinha em mim.

Otros datos:
Título original Bela Infanta.

Bibliografía:
Recogida por Maria da Conceição Portugal Dias, antes de 1917. Publicada en Dias 1917, 131-132. Reeditada en Chaves 1943b, 91-93 y RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 425, pp. 111-112. © Fundação Calouste Gulbenkian.