Señas del esposo v297

IGR: 0113. Versión: 297. Rima: á-a+í. Hemistiquios 70.

Castro Verde (c. Castro Verde, dist. Beja, Baixo Alentejo, Portugal)

Estando uma dona Princesa    no seu jardim assentada,
com pentes d` ouro    na mão, como está bem penteada!
Olhou e viu vir    uma grande armada,
o capitão que nela vinha    muito bem a preparava.
Diz-me lá, ó capitão,    diz-me lá, pela tua alma,
se o homem que Deus me deu    anda na tua esquadra.
Diga-me lá a senhora    que sinais ele levava.
Levava um cavalo branco    com uma sela encarnada,
na ponta da sua lança,    um laço de fita atada.
Pelos sinais que vós me dá,    esse foi o que eu matei,
lá detrás das carrasqueiras,    cinco navalhadas lhe dei.
Ai de mim, pobre viúva!    Ai de mim, pobre coitada!
Três filhas que Deus me deu,    sem nenhuma ser casada!
Mas o que dava vós, senhora,    a quem lho trouxesse aqui?
Eu dava tanto dinheiro    que ele não tivesse fim.
O seu dinheiro, senhora,    não me serve para mim,
sou soldado, vou p`r`à guerra,    nem mais torno por aqui.
Mas o que dava vós, senhora,    a quem lho trouxesse aqui?
Eu dava tanta fazenda    que ela não tivesse fim.
A sua fazenda, senhora,    não me serve para mim,
sou soldado, vou p`r`à guerra,    nem mais torno por aqui.
Mas o que dava vós, senhora,    a quem lho trouxesse aqui?
Três filhas que Deus me deu,    todas três te as dava aqui.
As suas filhas, senhora,    não me servem para mim,
só o teu rosto, senhora,    me encantaria a mim.
Venham cá, criados meus,    quantos são a meu mandado,
vão matar este tirano    aos rabos dos meus cavalos.
Os seus criados, senhora,    não me fazem mal a mim,
primeiro que eles fossem seus    já eles foram cá de mim.
A senhora não está lembrada    dum dia de chuva e vento,
que eu a tive nos meus braços    a poder de tanto tempo?
A senhora não está lembrada    dum anel que lhe eu parti?
Apareça a sua metade,    que a minha vê-a aqui.
Se tu eras o meu homem,    porque me não descobrias?
Queria ver a falsidade    em que tu me prometias.

Otros datos:
Título original Bela Infanta.

Bibliografía:
Recitada por F. Lampreia Mestre. Recogido antes de 1958. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 384-385. Reeditada en RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 424, pp. 110-111. © Fundação Calouste Gulbenkian.