El moro que reta a Valencia v39

IGR: 0045. Versión: 39. Rima: á-a. Hemistiquios 56.

Vinhais s. l. (c. Vinhais, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Bem se passeia mourito,    de calçada em calçada,
olhando para Valência,    como está amuralhada.
Ó Valencia, ó Valência,    de fogo sejas queimada!
Pois quando eras de mouros    eras de prata lavrada,
agora sois de cristãos,    sois de pedra mal talhada!
Se minha espada me não quebra,    minha sustância me não falta,
antes de vinte e quatro horas,    a mouros serás tornada.
A filha de Dom Cidro    já foi minha cautivada,
agora tem a mais nova    que será minha namorada.
Ouvira el-rei Dom Cidro    de altas torres donde estava,
chamou a filha mais velha,    em quem ele se mais fintava.
Levanta-te, ó minha filha,    pega na tua almofada,
vai, vence-me aquele mourinho    de palavra em palavra!
As palavras sejam poucas,    e de amores bem tocadas.
Benvindo sejas, moirinho,    benvinda a tua chegada,
sete anos há, ó moirinho,    que por ti não lavei cara!
Há outros sete, senhora,    que eu por si não fiz a barba!
Vai-te daí, ó moirinho,    não digas que te fui falsa,
a Babeca de meu pai,    ela trepa na calçada.
Não se me dá pela Babeca,    nem por quem na cavalgava,
se a Babeca corre muito,    o meu cavalo voava.
Sete léguas foi a fugir,    sem um co` outro falar.
Botou por um vale abaixo,    não corria que voava;
o vale estava lavrado,    o cavalo se lhe atolava.
Mal haja o cavalo,    que adiante não passava!
Mal o hajas las lavradas    e os toiros que as lavraram!
Estas lavradas, moirinho,    foram lavradas em Maio,
quando o touro está no cebo    e as damas adelgadam.

Otros datos:
Título original:O Cid Defende a Cidade de Valência.

Bibliografía:
Recogido antes de 1928. Publicada en Martins 1928, (Martins 1987) 232-233. Reeditada en Redol 1964, 84-85; Pinto-Correia 1984, 118-119; Pinto-Correia 1986, 9-11 y RºPortTOM 2000, vol. 1, nº 38, pp. 160-161. © Fundação Calouste Gulbenkian.