El moro que reta a Valencia v38

IGR: 0045. Versión: 38. Rima: á-a. Hemistiquios 42.

Curopos (c. Vinhais, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Bem se passeia o mourinho    de calçada em calçada,
olhando para Valência,    o que estava amuralhada.
Ó Valência, ó Valência,    Valência foras queimada!
Quando tu eras dos mouros,    eras de prata lavrada,
agora, que és dos cristãos,    és de pedra mal picada.
Isto ouvia el-rei    d` altas torres donde `stava,
chamou pela sua filha,    chamada a Dona Bernarda.
Vai-te daí, minha filha,    com costura e almofada,
entretém-me aquel` mourinho    de palavra em palavra,
dá-lhe palavras d` amores, poucas,    que vão bem tocadas.
Como farei, ó meu pai,    s` eu d` amores não sei nada?
Fala com tua mãe,    que ela disso bem usava.
Já há sete anos, mourinho,    que eu por ti não puse gala.
Outros tantos há, senhora,    qu` eu por ti não fiz a barba.
Vai-te daí, ó mourinho,    que eu não quero ser falsa,
os cavalos [d]e el-rei meu pai    já relincham na calçada.
Que cavalos terá teu pai,    que cacem a minha égua baia?
Só se fôr um filho dela,    que eu não sei por onde ele pára.
Esse cavalo, mourinho,    é o que o meu pai montava.
Fugiu por um vale abaixo,    não fugia que voava,
ao passar o rio Verde    deram-lhe uma espadagada.

Otros datos:
Título original:O Cid Defende a Cidade de Valência.

Bibliografía:
Recitada por una señora "idosa". Recogida en 1936. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 17. Reeditada en Redol 1964, 82-83; Alvar 1971c, 177 y RºPortTOM 2000, vol. 1, nº 37, pp. 159-160. © Fundação Calouste Gulbenkian.