Silvana+Delgadina v12

IGR: 0005+0075. Versión: 12. Rima: í-a+á-a. Hemistiquios 54.

Aldeia de Silvalde (c. Espinho, dist. Aveiro, Beira Litoral, Portugal)

Vindo dona Silvana    pelo corredor abaixo,
tocando numa guitarra,    muito bem que ela zenia,
acordou seu pai da cama    c` o `strumento que fazia.
Que tendes, dona Silvana,    que tendes; ó filha minha?
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Mandou-a fechar num convento,    num convento a recolhia;
só lhe dava pão por onça    e a água por medida,
bacalhau às arrobas    para lhe secar a vida;
mandou vestir seu criado    de luto à maravilha.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Ó mana que Deus me deu,    dá-me uma pinguinha d` água:
a sede me trespassa a vida    , o coração e a alma.
Ó minha mana fadada,    como te hei-de dar la água?
Que o nosso pai já jurou,    à ponta da sua espada,
quem desse água a Silvaninha    que morria degolada.
Viu vindo o seu mano    pelo corredor abaixo:
O mano que Deus me deu,    da-me uma puinguinha d` água,
a sede me trespassa a vida,    o coração e a alma.
Ó minha mana fadada, c    omo te hei-de dar la água?
Que o nosso pai já jurou,    à ponta da sua espada,
quem desse água a Silvaninha    t`ria a cabeça cortada.
Viu vindo a sua madre    pelo corredor abaixo.
Ó madre que Deus me deu,    dá-me uma pinguinha d` água;
a sede me trespassa a vida,    o coração e a alma.
Ó minha filha fadada,    como te hei-de dar la água?
Se teu pai me protestou,    à ponta da sua espada,
se eu desse água a Silvaninha,    morreria degolada.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Correi, criados, correi,    buscar água a Silvaninha;
o primeiro que aqui chegar    terá uma prenda minha.

Otros datos:
Título original: Delgadina.

Bibliografía:
Recogido antes de 1905. Publicada en Pires 1903-1905, 216. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1174, pp. 379-380. © Fundação Calouste Gulbenkian.