IGR: 0005+0075. Versión: 13. Rima: í-a+á-a. Hemistiquios 106.
Coimbra s. l. (dist. Coimbra, Beira Litoral, Portugal)
O conde da Vila-Flor, por ser o conde maior,
de três filhas que ele tinha, clarinhas como o sol,
uma se chamava amada, outra se chamava querida;
outra se chamava Faustina por ser a mais fidalgada.
Queres tu, filha Faustina, ser a minha namorada?
Não permita Deus do céu, nem a Virgem consagrada,
que eu, sendo sua filha, seja sua namorada.
Deixa vir a mãe da missa, que eu lho saberei dizer.
Ora vinde, mulher minha, ver o que aconteceu:
a nossa filha Faustina de amores me prometeu.
Dizei lá, ó mulher minha, o que Faustina mereceu?
Torre de pedra lavrada para meteres Faustina!
Dera-lhes o pão por onça, água por uma medida.
Ali tiveram Faustina por sete anos encerrada;
davam-lhe água por onça e da carne mais salgada.
Ao cabo de sete anos, Faustina sem ser findada;
foi-se dali a Faustina, tristinha e desconsolada,
assubindo uma ventana, outra ventana mais alta,
daí viu estar suas manas cosendo em uma almofada.
Deus vos guarde, manas minhas, manas minhas da minha alma;
peço-vos pelo amor de Deus que me deis uma pinga de água!
Deus te guarde, ó Faustina, ó mana da minha alma,
o nosso pai nos jurou p`los copos da sua espada,
que quem desse água à Faustina, sua cabeça é cortada.
Foi-se dali a Faustina, tristinha e desconsolada,
assubiu a uma ventana, outra ventana mais alta,
donde viu estar sua mãe, lavrando a ouro e prata.
Deus, vos guarde, ó minha mãe, mãe minha da minha alma!
Peço pelo amor de Deus que me dê uma pinga d` água.
Deus te guarde, ó Faustina, ó filha da minha alma;
há sete anos que eu vivo com o teu pai mal casada.
Foi-se dali a Faustina, tristinha, desconsolada,
assubiu a uma ventana, outra ventana mais alta.
Donde viu andar seu pai, passeando numa sala.
Deus vos guarde, ó meu pai, ó pai meu da minha alma;
peço pelo amor de Deus que me deis uma pinga de água.
Deus vos guarde, ó Faustina, minha filha malfadada,
eu pedi-te a mão direita, tu não ma quiseste dar.
Aqui tem a mão direita, a esquerda se a quiser!
Venham as jarras de prata, de ouro se as houver;
quero dar água à Faustina, que já é minha mulher.
Corram, corram, cavaleiros, a dar água à Faustininha;
o que primeiro chegar há-de ter uma prenda minha.
A água era chegada, era findada Faustina!
No meio daquele largo um tanque d` água aparecia.
Vieram sete senhoras, domingo de madrugada,
para levarem Faustina para o céu em corpo e alma.
Nossa Senhora do Pranto é que a pranteava,
tu morreste, Faustininha, p`la honra de seres honrada.
Nossa Senhora do Pranto era quem a pranteava;
no seu pranto que dizia: Domingo de madrugada
vieram sete demónios, dormiram em tua casa,
para levarem teu pai p`r`ó Inferno em corpo e alma.