Señas del esposo v296

IGR: 0113. Versión: 296. Rima: á-a+í. Hemistiquios 70.

Murteira (c. Loures, dist. Lisboa, Estremadura, Portugal)

Assobe, gagêro, assobe,    assobe ao tópe real.
Já se avista terras de Espanha    e as airas de Portugal,
já se avista lá no mar    uma grande guerra armada.
Queim será o marinheiro    que a traz tão beim guiada?
Será o meu marido    que há dez anos fora de casa?
Diga lá, ó sinhora,    que trajo ele luvava?
Luvava cavalo branco    e uma lança doirada,
e à ponta da lança    uma fita encarnada.
Esse homem lá o vi    com vinte e quatro facadas,
a mais piquena delas todas    era as goelas cortadas!
Quanto me dava a sinhora    se o tròxer agora aqui?
Dava três filhas que tenho    todas as três le dava a si,
era uma para vestir    e outra para calçar,
e a mais bonita delas todas    para consigo fecar.
Ê nã quero as suas filhas    que não me purtence a mim,
sou soldado, vou p`r`à guerra    não assisto por aqui.
E quanto me dava a sinhora    se o tròxera agora aqui?
Dava-le três moinhos que tenho    todos três le dava a si:
um é de prata lavrada    e outro d` oiro marafim,
e outro de moer o trigo    quando eu m` arrecebi.
Ê nã quero os seus moinhos    que nã me purtence a mim,
sou soldado, vou p`r`à guerra    eu não assisto por aqui.
E quanto me dava a sinhora    se o tròxer agora aqui?
Dava as telhas de mê tilhado    que são d` oiro marafim.
E eu nã quero as suas telhas    que não me purtence a mim,
sou soldado, vou p`r`à guerra    não assisto por aqui.
E quanto me dava a sinhora    se o tròxer agora aqui?
Ê não tenho más que le dar    neim o sinhor más que me pudir.
Ê queria o sê lindo corpo    para comigo dormir!
Aonde está o anel das sete pedras    que contigo reparti?
Aond` está a tua ametade    qu` a minha vejo-a aqui?
Se tu és o meu marido    p`ra que me falas assim?
Está aqui o anel das sete pedras    que contigo reparti.
Abre portas e janelas    que mê marido quer entrar!
Aonde tens andado, ó marido?    Tenho andado na guerra a garriar.

Otros datos:
Título original Bela Infanta.

Bibliografía:
Recitada por Adelaide (66a). Recogido antes de 1957. Publicada en Costa 1957, 425-428; Costa 1961, 316. Reeditada en Galhoz 1987-1988, I. 98-99 y RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 423, pp. 109-110. © Fundação Calouste Gulbenkian.