Señas del esposo v281

IGR: 0113. Versión: 281. Rima: á-a+í. Hemistiquios 90.

Beira Baixa s. l. (Beira Baixa, Portugal)

Andando a dona Infanta    no seu jardim passeava,
deitou os olhos ao mar    viu vir uma grande armada.
Dizei-me, ó meu capitão,    dizei-me por vossa alma,
marido que Deus me deu    se aí vem na vossa armada?
Diga-me, minha senhora,    que sinais é que levava?
Levava cavalo branco,    cavalo branco levava,
levava sela amarela    por cima sobre-dourada,
e adiante de si levava    a cruz de Cristo pregada.
Eu o lá vi, ó senhora,    ele na guerra ficava,
com três chagas bem abertas    e todas eram mortais.
Por uma se via o sol,    por outra o belo luar,
por outra também se via    rica bola de jogar.
Ai, triste de mim, viúva!    Ai, triste de mim, coitada!
Ir-me-ei por esse mundo    chamando-me desgraçada.
Ai triste da só viúva,    de mim que nem já de si.
Quanto déreis vós, senhora,    a quem o trouxera aqui?
Dera-lhe ouro e prata,    fôra mais rico que mim.
O vosso ouro e a vossa prata    não me servem para mim,
eu sou soldado de el-rei    e não posso estar aqui,
mas, quanto davas, senhora,    a quem o trouxera aqui?
Três laranjais que tenho,    todos três os dera assim.
Não quero os seus laranjais,    não me servem para mim,
que sou soldado de el-rei    e não posso estar aqui.
Os três moinhos que tenho    todos três os dera a si,
um que mói pau de canela,    outro mói pau do Brasil,
outro mói rica farinha    que el-rei me manda pedir.
Eu não quero os seus moinhos,    não me servem para mim,
o que déreis vós, senhora,    a quem o trouxera aqui?
Essas três filhas que tenho    todas três quisera dar,
uma para vos vestir,    outra para vos calçar,
a mais linda delas todas    para consigo casar.
Eu não quero as vossas filhas,    não me servem para mim,
o que déreis mais, senhora,    a quem o trouxera aqui?
Não tenho mais que lhe dar,    nem você mais que pedir.
`Inda tem mais que me dar    e eu também que lhe pedir,
esse corpo delicado,    para comigo dormir.
Merece ser arrastado,    o maroto que tal diz,
ao rabo do meu cavalo,    à roda do meu jardim.
Não se amofine, senhora,    que eu consigo já dormi!
O anel de cinco pedras    que eu convosco reparti,
que é da vossa metade?    Pois a minha ei-la aqui.
Pois a minha ametade    esqueceu-me no jardim.
Vão-me já chamar meus manos    que o venham conhecer,
se ele o meu marido for,    eu o quero receber,
e se algum maroto for,    veja como se há-de haver!

Otros datos:
Título original Bela Infanta.

Bibliografía:
Recogido antes de 1867. Publicada en Braga 1867a, 1-4. Reeditada en Harding 1887, I. 75-78; RGP I 1906, (reed. facs. 1882) 42-45 y RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 408, pp. 93-94. © Fundação Calouste Gulbenkian.