Señas del esposo v282

IGR: 0113. Versión: 282. Rima: í+estróf.. Hemistiquios 116.

Beira Baixa s. l. (Beira Baixa, Portugal)

`Stando dona Caterina    no seu jardim assentada,
com um pente de ouro na mão    seu cabelo penteava.
Deitou os olhos ao largo    viu vir uma grande armada,
capitão que nela vinha,    trazia-a mui bem guiada.
Caterina, Caterina,    Caterina de Meneses,
sábado vou para França,    Caterina que quereis?
Saudai-me o meu marido    que por lá o achareis.
Diga-me, minha senhora,    que sinais levava ele?
Levava cavalo branco    e espada de marquês,
capote de camelão    forrado de cetim verde.
Pelos sinais que me dais,    não o vi senão uma vez,
vi-o morrer em França,    enterrá-lo em Santa Inês.
Já Caterina chorava,    lágrimas de três a três.
Calai-vos, ó Caterina,    casai comigo outra vez.
Senhoras da minha laia,    não casam mais que uma vez.
Quanto déreis vós, senhora,    a quem vo-lo traga aqui?
Dera-lhe armas e cavalos    que cresceram de Dom Luís.
Suas armas, seus cavalos,    não me servem para mim,
que eu sou capitão da armada    já me vou para o Brasil.
Quanto déreis mais, senhora,    a quem vo-lo traga aqui?
Dera ouro, dera prata,    fôra mais rico que mim.
O seu ouro e sua prata    não me servem para mim,
eu sou capitão da armada    já me vou para o Brasil.
Quanto déreis mais, senhora,    a quem vo-lo traga aqui?
As três azenhas que tenho    todas três te dera a ti,
uma mói cravo e canela    a outra mói serzelim,
outra mói rica farinha,    para el-rei mais para mim.
Vossas azenhas, senhora,    não me servem para mim,
sou capitão das armadas    já me vou para o Brasil.
Quanto déreis mais, senhora,    a quem vo-lo traga aqui?
Uma pereira que eu tenho    no meio do meu jardim,
pois quando ela dá peras    o rei mas manda pedir.
Eu sou capitão da armada    já me vou para o Brasil.
Quanto déreis mais, senhora,    a quem vo-lo traga aqui?
Essas três filhas que eu tenho,    todas três te dera a ti,
uma para te calçar,    outra para te vestir,
a mais linda delas    todas para contigo dormir.
As suas filhas, senhora,    não me servem para mim,
sou capitão das armadas    já me vou para o Brasil.
Quanto déreis mais, senhora,    a quem vo-lo traga aqui?
Não tenho mais que vos dar,    nem vós mais que me pedir.
Ainda não me ofereceu    esse seu corpo gentil.
Cavaleiro que tal fala,    cavaleiro que tal diz,
merece a língua arrancada,    cortada pelo nariz.
Levantai-vos, meus criados,    vinde-lho fazer assim,
ao rabo do meu cavalo,    ao redor do meu jardim.
Os criados que a servem,    já me serviram a mim,
as suas filhas, senhora,    também são filhas de mim.
Suas azenhas, senhora,    também pertencem a mim,
sua pereira, senhora,    também me pertence a mim.
Suas armas e cavalos,    também pertencem a mim,
seu ouro e a sua prata,    também pertencem a mim.
O anel que vos eu dei,    quando eu daqui saí,
mostrai-me a vossa metade    pois a minha ei-la aqui.
O anel que vos eu dei,    que se nos partiu no chão,
mostrai-me a vossa metade,    aqui está o meu quinhão.

Otros datos:
Título original Bela Infanta.

Bibliografía:
Recogido antes de 1867. Publicada en Braga 1867a, 4-7. Reeditada en Harding 1887, I. 81-85; RGP I 1906, (reed. facs. 1882) 45-48; Redol 1964, 250-252 y RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 409, pp. 94-95. © Fundação Calouste Gulbenkian.