Señas del esposo v217

IGR: 0113. Versión: 217. Rima: é-a+í. Hemistiquios 80.

Carviçais (c. Torre de Moncorvo, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

`Stando dona Francisquinha,    no seu jardim assentada,
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]    c` um pente de ouro na mão,
lançou os olhos ao mar,    viu vir uma grande armada.
Capitão que nela vinha,    vinha muito bem preparado.
Deus te salve, cavaleiro,    Deus te salve a tua alma!
Vistes por lá meu marido,    por essas guerras passadas?
Bem o vi, bem o conhecia,    diz-me as sanhas que levava.
Levava cavalo branco,    com sua sela amarela,
e na ponta da sua espada,    uma bandeira de guerra.
Por as sanhas que me dás,    esse mesmo lá o vi,
encostado à muralha,    com vinte e cinco feridas,
a mais pequena delas,    há a cabeça cortada.
Ai de mim, triste viúva!    Ai de mim, triste coitada!
De três filhas que eu tenho    e nenhuma me ficar casada!
Quanto dereis vós, senhora,    a quem vo-lo trouxera aqui?
Dava-vos tanto dinheiro    que nunca tivera fim!
Não quero vosso dinheiro,    que não me pertence a mim,
sou criado do rei    não posso viver aqui.
Quanto dereis vós, senhora,    a quem vo-lo trouxera aqui?
Dou-vos as telhas do telhado,    que são de ouro e de marfim.
Não quero as telhas do telhado,    que não me pertencem a mim,
eu sou criado do rei,    não posso viver aqui.
Quanto dereis vós, senhora,    a que vo-lo trouxera aqui?
Dou-vos três, moinhos que tenho:    [. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]
um é para moer chá,    outro para moer café
e outro para moer trigo,    do que hoje à mesa comi.
Não quero os vossos moinhos,    não me pertencem a mim,
eu sou criado do rei,    não posso viver aqui.
Quanto dereis vós, senhora,    a quem vo-lo trouxera aqui?
Dou-vos três filhas que tenho,    [. . . . . . . . . . . .]
uma para te vestir,    outra para te descalçar,
e a mais bonita de todas    para contigo casar.
Não quero as vossas filhas,    não me pertencem a mim,
eu sou criado do rei,    não posso viver aqui.
Quanto dereis vós, senhora,    a quem vo-lo trouxera aqui?
Não tenho mais que vos dar,    nem vós mais que pedir!
Queria o corpinho da senhora    para comigo dormir!
Oh ladrão que tal és!    Só merecias ser arrastado,
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]    à roda do meu jardim.
Pois isso era o que eu queria    que eu sou o teu marido.
Meu anel de sete pedras,    em duas metades o parti,
mostra me a tua metade,    pois a minha vê-la aqui.
Nota del editor de Rº PortTOM 2000: RGP III 1909, (reed. facs. 1885) e Chaves 1943b, editam parcialmente esta versão.    

Otros datos:
Título original Bela Infanta.

Bibliografía:
Recogida en 1902. Publicada en Tavares 1906, 321-322. Reeditada en RGP III 1909 (reed. facs. 1985), 340; Chaves 1943b, 97-98; Damião 1997, 44-45 y RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 344, pp. 30-31. © Fundação Calouste Gulbenkian.