IGR: 0164+0100. Versión: 32. Rima: í-a. Hemistiquios 72.
Vinhais (c. Vinhais, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Al caçar vai cavaleiro, al caçar com o sol ia;
seus perros leva cansados e o falcão perdido lhe ia.
Escurecera-lhe no monte, lá numa escura montina;
arrumara-se a um roble, alto é na maravilha;
ele o pé tenia d` ouro, a rama de prata fina.
Quando foi na meia-noite, deitou seus olhos acima;
vira estar uma donzela, vira estar uma menina;
c` um pente d` ouro na mão ela pentear-se queria.
O cabelo da cabeça todo o roble encobria;
o olhar da sua cara todo o mundo esclarecia;
os dentes da sua boca pareciam neve caída;
os dedos das suas mãos pareciam de prata fina.
Que fazes aqui, donzela, que fazes aqui, menina?
Estou a cumprir uma fada que me deitou a madrinha:
estar aqui sete anos, sete anos e mais um dia;
hoje se acabam os sete e amanhã se encerra o dia.
Que comias, minha alma, que bebias, minha filha?
Rabacinhas do lameiro e água da fonte fria.
Queres vir comigo, donzela, queres vir comigo, menina?
Monta aqui no meu cavalo, ou na anca ou na silha.
Na silha, não, cavaleiro, que é grande descortesia;
na anca, sim, cavaleiro, que é honra tua e minha.
Lá no meio do caminho a donzela se sorria.
De que te ris, ó donzela, de que te ris, ó menina?
Rio-me do cavaleiro e da sua covardia.
Achá` la niña no monte e guardar-lhe cortesia.
Volta, volta, meu cavalo, minha espora é perdida.
Vamos, vamos, cavaleiro, não uses de vilania;
tua espora era de prata, meu pai d` ouro ta daria.
Quem era esse teu pai que tanto ouro tenia?
O meu pai é rei de França, minha mãe é Constantina.
Pelas novas que me dás, tu eras irmana minha.
Abra-me as portas, ó madre, abra-mas com alegria,
cuidei de trazer esposa e trago irmana mi`a.
Se trazes tua esposa, leva-a para o palácio;