La Condesita v53

IGR: 0110. Versión: 53. Rima: á. Hemistiquios 89.

Poiares (c. Freixo de Espada-à-Cinta, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Declarou-se uma guerra    entre França e Portugal;
convidaram conde Flores    p`ra capitão-general.
Por quantos anos vais, conde,    conde, por quantos vais?
Vou por sete, minha condessa,    vou por sete, nada mais;
se òs oito não vier    condessa, podes casar.
Já os oito eram passados    e os nove iam a andar.
Uma manhã de Páscoa    o pai a mandara chamar.
Que me quereis, meu pai,    meu pai, que me quereis dar?
Nada te quero dar, filha;    se te queres casar?
Não, por certo, meu pai,    não, por certo, em verdade,
que me deu na cabeça    que é vivo o conde Dom Blás.
Deite-me a sua benção,    que o quero ir procurar.
A minha benção te deito,    mais a soledade (?);
vai a tua mãe que ta deite,    a ver se vale mais.
Foi-se para sua casa,    saltou a desnudar-se.
Vestiu-se de peregrina    e foi-se a peregrinar.
Sete anos andou por terra    e outros sete no mar.
À entrada de Barcelones    se pusera a merendar;
viu vir um rapazito    c` uns cavalos a passear.
Dize-me aqui, ó rapazito,    não me negues a verdade:
de quem são esses cavalos,    que os conheço por sinal?
Esses cavalos, senhora,    são do conde Dom Blás;
hoje se alegram as bodas,    e amanhã se vai casar.
Pois dize-me aqui, ó rapazito,    não me negues a verdade:
onde mora esse senhor,    onde mora, onde está?
Indo toda a rua adiante    não lhe pudera falar.
Sete voltas ao palácio    sem olhar por onde entrar;
ao cabo de sete voltas    numa ventana o viu estar.
Dai-me uma esmola, bom conde,    dai-me, por necessidade!
Pois perdoa, peregrina,    que não tenho que te dar.
Algum dia, bom conde,    algumas tinhas que me dar.
Pois donde é a peregrina,    de que terra, ou de que cidade?
Sou de França, meu senhor,    um pouquito mais acá.
Dize-me, ó peregrina,    que se conta por aí lá?
Por aí lá nada se conta.    Senhor conde Dom Blás
deixou sua mulher só,    sua mulher o anda a buscar.
Mete a mão ao seu bolso,    um real de ouro lhe dá.
Ela prometeu ao seu,    levantar o benairá.
Esse vrilá era meu,    me custou uno siodá.
Como pode ser, senhor conde,    como pode ser verdade?
Deu-mo meu marido    quando nos fomos casar.
Fique com Deus o palácio    e a gente que nele está,
e Aninhas fica borrada    [. . . . . . . . . . . .]
de abraços e beijinhos;    não a posso remediar.
Se minha mulher fosse má,    não na vinha procurar.
-39b siodá sic (Nota de Tavares: Una ciudad? )    

Otros datos:
Título original: I8. O CONDE SOL (Á) (=SGA I7)

Bibliografía:
Recogido antes de 1902. Publicada en Tavares 1903-1905, 98 y Tavares 1906, 320-321 Reeditada en RGP III 1909, (y Braga 1985) 357-359; Chaves 1948, 362-364; RTLH 4 (1970), 169-171 y Costa Fontes 1997b, Índice Temático (© HSA: HSMS), p. 134, I8; Rom.PortTOM 2000, vol. 2, nº. 493, pp. 174-175.