Delgadina v223

IGR: 0075. Versión: 223. Rima: á-a. Hemistiquios 62.

Tolosa (c. Nisa, dist. Portalegre, Alto Alentejo, Portugal)

`Stando dona Dalgadinha    no seu jardim assentada,
veio dali o seu pai-rei,    pol` amores a tratava!
Sabes lá, ó mulher minha,    o que vai na nossa casa!
Nossa filha Dalgadinha    pol` amores me tratava!
Diz-me lá, mulher minha,    degredo le vamos dar.
Manda-se por numa ventana,    numa ventana bem alta,
dá-se-l` água por medida,    sardinhas, a mais salgada.
Desceu aquela ventana,    subiu a outra mais alta,
Avistou as suas manas-rainhas    bordando numa almofada.
Haja sede, não haja fome,    quem me dá um jarro d` água?
Vai-te daí, mana minha,    mana minha da minha alma,
se nosso pai-rei soubesse,    o pescoço nos cortava.
Foi-se dali Dalgadinha,    muito triste, desconsolada,
E subiu a outra ventana    e subiu a outra mais alta.
Avistou seus manos-reis,    c` uma bola d` ouro jogavam.
Haja sede, não haja fome,    que me dê um jarro d` água?
Se nosso pai-rei soubesse,    o pescoço nos cortava.
Foi-se dali Dalgadinha,    muito triste, desconsolada,
Subiu a outra ventana,    subiu a outra mais alta.
Avistou sua mãe-rainha    bordando ouro e prata.
Haja sede, que não haja fome,    quem me dê um jarro d` água?
Vai-te daí, perra negra,    perra negra malfadada!
De sete anos para oito    me fazes mal casada.
Foi-se dali Dalgadinha,    muito triste, desconsolada,
Desceu àquela ventana,    subiu a outra mais alta.
Avistou seu pai-rei,    com cartas d` ouro jogava.
Haja sede, que não haja fome,    que me dê um jarro d` água.
Alto, alto, meus criados,    vão levar água à Dalgadinha.
E eles, como eram irmons,    chegaram ao mesmo tempo.
Quando eles lá chegaram,    Dalgadinha que acabava.
Ao cimo da cabeceira    tinha uma fonte d` água clara,
O quarto de seu pai-rei    de fogo andava alagado.

Otros datos:
Nota del editor de RºPortTOM 2003: -11b entre parêntesis en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II.

Bibliografía:
Recitada por una mujer mayor y una joven. Recogida en 1931. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 81-82.. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1183, pp. 391-392. © Fundação Calouste Gulbenkian.