IGR: 0797. Versión: 13. Rima: í-a. Hemistiquios 32.
Ourilhe (c. Celorico de Basto, dist. Braga, Trás-os-Montes, Portugal)
Alma vai a Santiago, vai comprir a romaria;
a companhia que levava era a Virgem Maria.
O pecado ia atrás, a ver se a tentaria.
Vai-te daí, ó demónio, deixa-me a alma, que é minha,
que me deram de alvíssaras por um filho que eu tinha.
Chegou mais adiante, caiu a um poço sem fundo,
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .] donde sair não podia.
Todos os gritos que dava, todos o Senhor ouvia;
do palácio donde estava, de lá lhe respondia:
Se és cousa minha, ajudar-te-ei, se és cousa má, esconjurar-te-ei.
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .] Senhor, eu cousa ruim não sou,
sou uma alma pecadora que desse sangue se gerou.
Apega-te aos rosários que rezaste, aos jejuns que jejuaste.
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .] Eu jejuar não podia;
apego-me aos rosários que rezava cada dia.
Eu me apejo a sete quarentenas que jejuei;
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .] uma por si oferecerei;
encostada à coluna, uma vela t` acenderei.