Cautivo del renegado v9

IGR: 0443. Versión: 9. Rima: é-a. Hemistiquios 30.

Atalaia (c. Pinhel, dist. Guarda, Beira Alta, Portugal)

Cativaram-me os moiros    lá nesses tempos da guerra;
levaram-me a vender    aos ares da minha terra.
Mer`ci-o a Deus em bem    a dar co` uma ama bela:
de dia moía cravo,    e à noite cravo e canela.
Punha-me um freio na boca    p`ra que não comesse dela;
quando o moiro ia à caça,    punha-me à mesa co` ela,
dava-me a comer pão branco    do que o moiro come à mesa,
dava-me a beber bom vinho,    do melhor da sua adega,
deitava-me no regaço,    catava-me a cabeça,
cada hora me dizia:    Cristão, volve à tua terra.
Como volverei, senhora,    se a mim me falta a moeda?
Eu te darei cem dobrões,    que eu tenho na minha algibeira;
Também te darei uma égua    que nunca perdeu carreira.
Nunca vás pelos vales,    nem tão-pouco pelas v`redas;
perro moiro nos encontra,    cortará nossas cabeças.

Bibliografía:
Recogido antes de 1908. Publicada en Amaral 1908, 98-99. Reeditada en Chaves 1943a, 117-118 y RºPortTOM 2000, vol. 1, nº 312, pp. 489-490. © Fundação Calouste Gulbenkian.