IGR: 0443. Versión: 8. Rima: é-a. Hemistiquios 40.
Campo de Víboras (c. Vimioso, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Minha mãe era de Burgos e meu pai del` Antesquera;
cultivaram-me los mouros entre la paz e la guerra;
me lubaram a bender à foira de La Frontera;
num houbo mouro nem moura que por mim real mandera.
Chigou um perro mouro, que duzentos reales dera.
Luvou-me p`ra sua terra, prendeu-m` a u~a cadena:
De dia moía carvo de noite crav` e canela;
meteu-me um freio na boca, para qu` as eu num coméra.
Quijo Deus e mi ventura que dei c` u~a ama buena:
Q`ando o homem iba à caça, soltava-me da cadena,
dava-me do seu pão alvo que tinha em sua mésa,
dava-me um bom binho tinto, que tinha em sua bodega;
sempre m` andava dezendo: Cristano, vai-te a tu terra.
Eu como m` hei-d` ir, senhora, se num tenho que gastar nela?
Meteu a mão no bulsilho e cem dobrones le dera.
S` incontrares a teu amo, dirá-le que bás à erba.
Lá ao sair da cidade, perro mouro l`aparcéra:
Donde vás, ó cristanilho, a cavalo em mi égua?
Vou por mando de mi ama à lameira buscar erva.
Adeus, adeus, perro mouro, que me vou para a mi terra!