IGR: 0343. Versión: 19. Rima: á+estróf.. Hemistiquios 62.
Ponta Ruiva (freg. Ponta Ruiva, c. Santa Cruz das Flores, isla de As Flores, Açores, Portugal)
Deus me dera tal ventura além das águas do mare,
como teve Florevento numa noite de Natal.
Abrasou sete cidades qu` o rei tinha p`ra gozar,
esbaratou cem bronzes d` oiros qu` o rei tinha p`ra gastar,
desonrou sete donzelas qu` o rei tinha p`ra casar,
matou cem padres de missa revestidos no altar.
Foi notícia à sua mãe que Florevento iõ matar.
Sua mãe, que tal ouviu, tratara de caminhar,
co` seus vestidos nos braços sem os poder enfiar,
suas aias e criadas sem as poder alcançar.
Quando ao palácio chegou, logo co` rei foi falar.
Logo le disse que nã queria que Florevento fosse a matar.
Se abrasou sete cidades, cem aí tem p`ra guardare;
se esbaratou cem bronzes de oiro, cem aí tem p`ra ajudar;
se desonrou sete donzelas, cem aí tem p`ra guardare
e se matou cem padres de missa, Deus lho queira perdoare:
a morte não se pode pagar!
(E ela chamou-o e foi, e diz-lhe assim:)
Vinde, vinde, ó Florevento, te quero amaldiçoar:
os caminhos que por tu passares, que não te possam suportar,
e a mulher com quem tu casares, ela te não seja leal!
Caminhara Florevento, p`ra longe dela foi casare;
foi casar com Dona Branca, a mais linda do lugar.
No cabo de trinta dias, Floresvento foi à caça.
Caminhara dona Branca p` o seu jardim passear,
com um copo d` água na mão para o seu rosto lavar.
Passaram dois cavaleiros qu` ali não deviam de passar:
Oh, que linda Dona Branca, quem ma dera namorare!
Venham, venham . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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Quem são aqueles dois homens que na nossa cama estão?
Mata, mata, marido, que a morte eu tenho-te merecido.
Não te mato, mulher minha, mate o Deus que te criou,
que isto são maldições que a minha mãe me deitou!