Floresvento v18

IGR: 0343. Versión: 18. Rima: á+estróf.. Hemistiquios 40.

As Lajes das Flores (c. As Lajes das Flores, isla de As Flores, Açores, Portugal)

Caminhou Florbento    numa noite de Natal.
Matou sete donzelas    que o rei tinha p`ra casare,
e abrasou sete cidades    que o rei tinha p`ra lhe dare;
matou cem padres de missa    revestidos no altare.
Anda cá, ó Florbento,    que eu te quero amaldiçoar:
terra p` onde tu passares,    pão não há-de dare;
mulher com que tu casares,    outro seja que há-de gozá-la.
Se matou sete donzelas,    eu as tenho para os dare
e se abrasou sete cidades,    eu as tenho p`ra lhe dare
e se matou cem padres de missa,    Deus lhe há-de perdoarei
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Ia Dona Branca    com um copo na mão
p`rò seu jardim    p`rò seu rosto lavare.
Passou um cavaleiro    
Anda cá, meu cavaleiro,    uma noite, outra não,
qu` o meu marido foi à caça    p`ràs partes do Maranhão,
e quando ele de lá vier,    há-de ser um alto serão!
Diz-me lá, ó Dona Branca,    
de quem são aqueles dois chapéus    que estão sobre a nossa cadeira?
Foi teu pai que tos mandou    p`ra chapéus brancos te meter.
De quem são aqueles dois cavalos brancos    que estão na nossa estrebaria?
Foi teu pai que tos mandou    p`ra cavalos brancos tu teres.

Otros datos:
Nota de la editora: No final da recitação disse: "Agora não sei mais não. Pois ele chegou, pois era o castigo qu` o pai lhe tinha prometido. . . p`ra ele. Tinha outros homens em casa quando ele chegou."

Bibliografía:
Recitada por Maria Pimentel Facha. Recogida por Joanne B. Purcell, 1969. (Archivo: JBP; Colec.: JBP 1969-1970; cinta: 48B, n° 28, rotação 797). Publicada en Purcell 1987, Ilhas, 6.1, pp. 80-81.