IGR: 0232. Versión: 29. Rima: í-a. Hemistiquios 32.
Argozelo (c. Vimioso, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Por aqueles prados verdes linda romeira venia;
seu vestido era baixinho e a erva lho reprendia.
Deitou seus olhos atrás para ver quem ali vinha
e notou que um cavaleiro d` amores a pretendia.
Por Deus te peço, romeiro, por Deus e Santa Maria,
que me deixes ir honrada desta santa romaria!
O malo do cavaleiro disse-lhe que não queria,
pegaram braço a braço, a ver o que mais podia.
Donzela, como mais fraca, logo debaixo caíra:
no malo do cavaleiro punhal d` oiro lhe caíra.
Donzela, como discreta, com sua mão o erguia,
`spetara-lho por um lado, ao coração lhe saíra.
Por Deus te peço, romeira, por Deus e Santa Maria,
que o não digas em tu` terra, nem te vás gabar à minha!
Hei-de dizê-lo em tu` terra e hei-de me ir gabar à minha,
que matei um cavaleiro com a arma que ele trazia.