IGR: 0232. Versión: 26. Rima: í-a. Hemistiquios 36.
Mogadouro s. l. (c. Mogadouro, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)
Oh que linda rosa branca naqueles vales se passeia!
Leva touca valenciana, vai em traje de romeira,
sua saia leva baixa, as flores lhe descobria;
cavalheiro vai atrás dela, alcançá-la não podia.
Alcançou-a descansando ao pé duma fonte d` água fria.
Deus guarde a donzela, Deus guarde a menina.
Deus guarde o cavalheiro mais a sua fantasia.
O maldito cavalheiro de amores a pretendia.
Ela, como discreta, disse-lhe que o não queria.
Agarram-se de braço a braço, era aquele que mais podia.
A donzela, como mais fraca, logo no chão caía;
meteu-lhe a mão no bolso, tirou-lhe um punhal que trazia,
meteu-lho a um lado do peito e no coração lhe entraria.
Peço-te eu, ó donzela, por Deus e Santa Maria,
que não digas na tua terra, nem te vás gabar à minha,
que mataste um cavalheiro com armas que ele trazia.
Eu hei-de dizer na tua terra, hei-de-me ir gabar à minha,
que matei um cavalheiro com armas que ele trazia.
Oh que linda rosa branca que naqueles vales vivia!