Bernal Francés+Aparición de la enamorada muerta v40

IGR: 0222+0168. Versión: 40. Rima: í. Hemistiquios 96.

Portugal s. l. (Portugal)

Ó quem bate à minha porta,    ó quem bate, ó quem está `i?
Cravo d` amor, minha senhora.    Rosa branca, venha abrir.
Se é Dom Francisco de França,    a porta lhe vou abrir.
Se é outro cavalheiro,    pode-se já daí ir.
É Dom Francisco de Franca,    a porta lhe venha abrir.
Ao abrir a minha porta    se me apagou o candil,
ao subir da minha escada    caiu a par de mim;
Peguei nele nos meus braços,    levei-o para o jardim.
Lavei-o com água de rosas    e folhinhas d` alecrim;
fui para a minha cama,    deitei-o a par de mim.
Meia-noite era dada    e outra meia para dar,
e Dom Francisco de Franca    sem para mim se voltar;
O que tens, ó Dom Francisco?    Tu que tens hoje em ti?
Se temes os meus criados,    eles estão longe de mim;
se temes a minha mãe,    ela está longe de mim;
se temes os meus filhos,    eles filhos são de ti;
se temes o meu marido,    está p`r`às partes do Brasil;
as novas que tenho dele    que não torne aqui a vir.
Cala-te, ó paroleira,    deixa-me o sono dormir,
amanhã por estas horas    eu te hei-de dar que vestir:
t` hei-de dar saia de greme,    baju de carmesim,
gargantilha degolada,    tu o causastes assim.
Os condes e marqueses    serão duzentos e mil,
as velhas que tu levares    não terão conto nem fim,
hás-de ir a enterrar    no adro de S. Crispim.
Mata, mata, meu marido,    que eu a morte te mereci:
já que não há experiência em outra,    haja-a agora em mim.
Onde vais, ó Dom Francisco,    esta manhã por aqui?
Vou ver a minha Ana,    que há dias que a não vi.
A tua Ana é morta,    é morta, que eu bem na vi;
os sinais que ela levava,    eu tos digo aqui:
levava saia de greme,    baju de carmesim,
o tumbo em que ela ia    era d` ouro e marfim;
as tochas que ela levava    não tinham conta nem fim;
os condes e os marqueses    eram duzentos e mil.
Onde se foi enterrar?    Ao adro de S. Crispim.
Ala, ala, meu cavalo,    vamos ver se isto é assim.
Abre-te, campa sagrada,    que me quero meter em ti.
Vive tu, ó Dom Francisco,    vive tu, que eu já morri.
Os olhos com que te olhava,    de terra já os cobri;
a boca com que te beijava,    de terra já a enchi;
os braços com que te abraçava,    já não têm forças em si.
Os filhos que me lá ficam,    entre mim e mais de ti,
mete-o frade do Carmo,    defronte de S. Crispim;
as missas que ele disser,    que sejam todas por mim.
Outro seja cavaleiro,    que passeie como a ti.
As meninas, põe-nas freiras,    p`ra não serem como a mim.
A mulher com quem casares,    chame-se Ana como a mim.

Otros datos:
Nota: -28 empalma con el segundo romance.

Bibliografía:
Recogido antes de 1960. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 513-514. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 940, pp. 176-177. © Fundação Calouste Gulbenkian.