Ciego raptor v57

IGR: 0189. Versión: 57. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 40.

Beira Baixa s. l. (Beira Baixa, Portugal)

Menina, abre a porta    ao cego perdido,
deita-me um paninho    que venho ferido.
Se tu vens ferido,    podes-te ir embora,
que eu não abro a porta    nem te dou esmola.
Venha cá, ó mãe,    venha cá ouvir
um cego tão lindo    que está a pedir.
Levanta-te, filha,    vai ver o ceguinho,
abre lá a porta,    dá-lhe pão e vinho.
Eu não quero vinho,    nem quero o seu pão;
quero quem me guie    nesta escuridão.
Vai lá, minha filha,    tem dó do ceguinho:
pega na candeia,    mostra-lhe o caminho.
Ali vai a estrada,    já pode ir sozinho;
já não sou precisa,    não erra o caminho.
Não te vás embora,    vem cá, meu encanto,
tem dó deste cego    que te ama tanto.
Adeus minha terra,    adeus, minha mãe;
foi por sua causa    que eu me desgracei:
Quantos me quiseram,    todos enjeitei
e afinal dum cego,    mulher ficarei!

Bibliografía:
Recogida en 1890. Publicada en Thomás 1913, 47-49. Reeditada en Graça-CD 1995, 23-24 y RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1103, pp. 305-306. © Fundação Calouste Gulbenkian.