IGR: 0189. Versión: 58. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 52.
Elvas (c. Elvas, dist. Portalegre, Alto Alentejo, Portugal)
Donzela, abre a porta ao cego perdido,
deita-me um lenço, que venho ferido.
Se tu vens ferido, venhas embora,
a porta não abro, nem dou lenço agora.
Venha, minha mãe, venha cá ouvir
um cego tão belo a cantar e a pedir.
Se ele canta e pede, dá-lhe pão e vinho
e ao pobre cego ensina o caminho.
Eu não tenho sede nem quero beber,
preciso de guia p`ra me não perder.
Oh! Vai, minha filha, pega na meada
e ao pobre cego ensina a estrada.
Adeus, minha aldeia, tão querida e amada,
adeus, minha mãe, vou ser desgraçada.
Por Deus, ó donzela, não vertas o pranto,
segue o pobre cego que te ama tanto.
Dizes que me amas, não o posso crer,
pois sendo tu cego, como me hás-de ver?
Com os olhos da alma. Por Deus Nosso Senhor,
segue e acompanha o cego d` amor.
Seguiram os dois pela estrada adiante
sem querer descansar sequer um instante.
Depois disse o cego: Quer`s ser minha amada?
Sim, disse a donzela, meia atrapalhada.
Passados oito dias, oh, que esplendor!
Casou-se a donzela com o cego d` amor.
Nota del editor de RºPortTOM 2003: Editamos Pires 1899-1902, (reed. 1982).