Ciego raptor v55

IGR: 0189. Versión: 55. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 42.

Tinalhas (c. Castelo Branco, dist. Castelo Branco, Beira Baixa, Portugal)

Acorde, minha madre,    que lá estais dormindo,
ouvirá o cego    à porta pedindo.
Pega tu no pão,    pega tu no vinho;
vai dar a esmola    ao pobre ceguinho.
Não quero o seu pão,    não quero o seu vinho;
só quero que a menina    me ensine o caminho.
Pega tu na roca,    pega tu no linho,
vai ensinar o caminho    ao pobre ceguinho.
Espiou-se a roca,    acabou-se o linho,
adiante, cego,    lá vai o caminho!
Venha, menina,    mais um bocadinho.
Valha-me Deus Padre    e Santa Maria!
Que gente é aquela    de cavalaria!
Anilha, meta-se    debaixo da minha capilha.
Enquanto passa    a gente da cavalaria.
Nunca vi cego    com tanta fantasia!
A espada era de ouro,    a cinta o cingia.
Adeus, minha terra,    adeus, triste aldeia,
adeus, pai e mãe    que tanto me falseia!
Adeus, minha terra,    adeus, terra minha,
adeus, pai e mãe,    que tão mal me queria!

Otros datos:
Nota: Por lapso, Galhoz 1987-1988, I. 336-337 elabora uma versão factícia composta pela aqui referenciada e por Dias Martins 1954, 231-233, versão por nós editada com o número 1099.

Bibliografía:
Recitada por Maria Guilhermina (41a). Recogido antes de 1954. Publicada en Dias Martins 1954, 236-237; Galhoz 1987-1988, I. 341 y 336-337. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1101, pp. 303-304. © Fundação Calouste Gulbenkian.