Ciego raptor v50

IGR: 0189. Versión: 50. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 48.

Queimada (c. Armamar, dist. Viseu, Beira Alta, Portugal)

Fecha a tua porta,    abre o teu postigo,
dá-m` um lencinho,    que venho ferido.
Se tu vens ferido,    vem muito embora,
qu` a minha portinha    não se abre agora.
Não se abre agora?    P`ra mim s` há-de abrir!
Sou o triste cego    que ando a pedir.
`Corde, minha mãe,    desse vão dormindo,
dê a esmola ao cego,    que la está pedindo.
Pega tu, ó filha,    no pão e no vinho,
dá ao triste cego,    que siga o caminho.
Não quero o seu pão,    menos o seu vinho,
quero que a menina    m` ensine o caminho.
Pega tu, ó filha,    na roca e no linho,
ensina ao cego    o triste caminho.
Acabou-s` a roca,    acabou-s` o linho!
Adiante, ó cego,    lá vai o caminho.
Ande, menina,    mais um bocadinho!
Sou curto de vista,    não vejo o caminho.
De condes e reis    eu fui pretendida,
só de ti, ó cego,    me vejo rendida.
Adeus, minha casa,    adeus, minha jinela,
adeus, minha mãe,    que tão falsa me era!
Adeus, minha casa,    adeus, meus quintais,
adeus, minha mãe,    para nunca mais!

Otros datos:
Nota de J. L. de Vasconcelos: -7b Dormir. Influência do verso seguinte.

Bibliografía:
Recitada por una mujer. Recogida en 1910. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, II. 100. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1096, pp. 298-299. © Fundação Calouste Gulbenkian.