IGR: 0189. Versión: 50. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 48.
Queimada (c. Armamar, dist. Viseu, Beira Alta, Portugal)
Fecha a tua porta, abre o teu postigo,
dá-m` um lencinho, que venho ferido.
Se tu vens ferido, vem muito embora,
qu` a minha portinha não se abre agora.
Não se abre agora? P`ra mim s` há-de abrir!
Sou o triste cego que ando a pedir.
`Corde, minha mãe, desse vão dormindo,
dê a esmola ao cego, que la está pedindo.
Pega tu, ó filha, no pão e no vinho,
dá ao triste cego, que siga o caminho.
Não quero o seu pão, menos o seu vinho,
quero que a menina m` ensine o caminho.
Pega tu, ó filha, na roca e no linho,
ensina ao cego o triste caminho.
Acabou-s` a roca, acabou-s` o linho!
Adiante, ó cego, lá vai o caminho.
Ande, menina, mais um bocadinho!
Sou curto de vista, não vejo o caminho.
De condes e reis eu fui pretendida,
só de ti, ó cego, me vejo rendida.
Adeus, minha casa, adeus, minha jinela,
adeus, minha mãe, que tão falsa me era!
Adeus, minha casa, adeus, meus quintais,
adeus, minha mãe, para nunca mais!