Ciego raptor v51

IGR: 0189. Versión: 51. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 66.

Sobral do Campo (c. Castelo Branco, dist. Castelo Branco, Beira Baixa, Portugal)

Era meia-noite    quando o ladrão veio,
deu três pancadinhas    à porta do meio.
Acorde, minha madre,    meu pai está dormindo;
é um triste ceguinho    à porta pedindo.
Levanta-te, minha filha,    desse leito de linho,
vai abrir a porta    ao triste ceguinho;
se ele tiver fome,    dá-lhe pão e vinho,
se ele não quiser,    que siga o seu caminho.
Não quero o seu pão,    nem quero o seu vinho,
só quero que a menina    me ensine o caminho.
Pega tu, Maria,    na roca e no linho,
ensina o caminho    ao triste ceguinho.
Acabou-se a roca,    despiou-se o linho;
adiante, cego,    que lá vai o caminho.
Venha, menina Aninhas,    mais um bocadinho.
Sou curto da vista,    não vejo o caminho.
Venha, menina Aninhas,    mais aqui, mais além,
sou curto da vista,    já não vejo bem.
Valha-me Deus    e Santa Maria!
Que gente é aquela    de cavalaria?
Meta-se, menina Aninhas,    debaixo da minha capinha.
Deixe passar a gente    que vem da romaria.
Valha-me Deus    e Santa Maria!
Que cego é este    de tanta valia?
Espada à cinta,    oiro que alumia!.
O oiro é seu,    a espada é minha,
sois minha mulher,    coroada rainha.
Chegou-se o cavalo    mais a cadeirinha,
a filha do nobre    já era rainha.
Adeus, minha terra,    adeus, triste aldeia;
meu pai e minha mãe    que tanto me falseia!
Adeus, minha terra,    terra dos olivais;
adeus, minha aldeia,    para nunca mais.

Otros datos:
Nota: Galhoz 1987-1988, I. 341-342 edita parcialmente Dias Martins 1954, 229-231.

Bibliografía:
Recogido antes de 1954. Publicada en Dias Martins 1954, 229-231. Reeditada en Galhoz 1987-1988, I. 342-343 e 341-342 y RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1097, pp. 299-300. © Fundação Calouste Gulbenkian.