Ciego raptor v45

IGR: 0189. Versión: 45. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 72.

Nave de Haver (c. Almeida, dist. Guarda, Beira Alta, Portugal)

Abram-s` as portas,    fachem-s` os postigos,
vênham dari a ismola    `ó triste ceguinho.
Se você iá çago,    seije mut` imbora,
qu` a `nha purtinha    nu si abr` agora.
Pega tu no pão    e tamainhe no vinho,
vai luvari a ismola    e `ó triste çaguinho.
Nu car` o sê pão,    tampôc` o sê vinho,
caro só qu` Aninhas    m` inxin` o caminho.
Pega tu na roca    e tamainhe no linho,
vai inxinari o caminho    `ó triste ceguinho.
Parte-se-mi a roca,    nu tênho mai` linho,
adiante, cego,    lá vai o caminho.
Ande mais adiante,    mais um becadinho,
sô curto de vista,    nu vaij` o caminho.
Parte-se-mi a roca,    nu tênho mais linho,
adiante, cego,    lá vai o caminho.
Ande mais adiante,    só um becadinho,
sô curto de vista,    nu vaij` o caminho.
Valha-me Deus    e a Virja Maria,
pois que tropa iá acala    toda de cavelaria,
pois serão as tropas    de dona Maria?
Mata-se aqui, Ana,    debaixo de `nha capinha,
pois inquanto pass`    a tropa de dona Maria.
Nunca vi um çago    cum tanta valia,
cum a ispada d` oiro    a cinta cingia.
A cinta iá tua,    a ispada iá minha
e tu ás `nha mulhera,    c`roada rainha.
Adê`s `nh` aldeia,    adê`s, que me vô,
adê`s, `nha mainhe,    tanto me refalseia;
adê`s, `nha terra,    adê`s, que me vô,
adê`s, `nha mainhe,    tanto me refalsiô.
Sempr` a dar ais,    sempr` a suspirara,
duas sintinalas    tinham qu` agordar
purq` Aninhas    se qu`ria matara.
Nu tchori, Aninhas,    nu steij` a tchorara,
c`roada rainha nanhe    todas ocupam assi lugara.

Otros datos:
Nota del editor de RºPortTOM 2003: Por se tratar de uma versão cuja transcrição tenta "representar" a fonética da área onde foi recolhida, optámos por apresentar, a seguir, uma fixação "normativa" da mesma, a fim de se tornar mais compreensível.

Bibliografía:
Recogido antes de 1957. Publicada en Reinas 1957, 420-422. Reeditada en Galhoz 1987-1988, 334-335 y RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1091, pp. 294-295. © Fundação Calouste Gulbenkian.