Ciego raptor v44

IGR: 0189. Versión: 44. Rima: 6+6 estróf.. Hemistiquios 40.

Vila Nova de Gaia (c. Vila Nova de Gaia, dist. Porto, Douro Litoral, Portugal)

Acorde, minha mãe,    acorde de dormir,
que aí vem o triste cego    a tocar e a pedir.
Se ele toca e pede,    dá-lhe pão e vinho
e diz ao triste cego    que siga o caminho.
Não quero o vosso pão,    nem quero o vosso vinho,
só quero que Aninhas    m` ensine o caminho.
Levanta-te, ó Ana,    pega na roca e linho
e vai ao triste cego    ensinar o caminho.
Já espiei a roca,    já acabei o linho,
adiante, cego,    lá vai o caminho.
Sou curto de vista,    não vejo o caminho,
anda, ó Aninhas,    mais um bocadinho.
Já espiei a roca,    já acabei o linho,
adiante, cego,    lá vai o caminho.
Sou curto de vista,    não vejo nada,
anda, ó Aninhas,    siga a jornada.
De condes e duques    fui pretendida,
agora dum cego    me vejo vencida.
Adeus, minha casa,    adeus, minha terra,
adeus, minha mãe,    que tão falsa me era.

Bibliografía:
Recitada por una mujer de Gaia. Recogido antes de 1911. Publicada en Pereira 1911, 137. Reeditada en RºPortTOM 2003, vol. 3, nº 1090, pp. 293-294. © Fundação Calouste Gulbenkian.