Marinero al agua v62

IGR: 0180. Versión: 62. Rima: á-a. Hemistiquios 26.

Vinhais (c. Vinhais, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Agora baixou o sol,    horas são de merendar,
vozes dava o marinheiro, v    ozes dava, que se afogava.
Respondeu o mau demónio    do outro lado da água:
Quanto davas, marinheiro,    a quem da água te tirara?
Darei os meus navios,    o do ouro e o da prata.
Não te quero os teus navios,    nem do ouro, nem da prata;
quero, na tua morte,    escriturada a tua alma.
Minha alma deixo a Deus    e o corpo aos peixes da água;
a cabeça às formigas,    p`ra que dela façam morada;
meu coração lisonjeiro    deixo à Virgem Sagrada;
as tripas deixo `òs cegos    para cordas de guitarra,
as pernas deixo aos mancos    p`ra que nelas façam jornada,
os braços deixos `òs cotos    p`ra que peguem na espada.

Bibliografía:
Recogido antes de 1938. Publicada en Martins 1938, (y Martins 1987) 54. Reeditada en Chaves 1943b, 135 y RºPortTOM2000, vol. 4, nº 1595, p. 334. © Fundação Calouste Gulbenkian.