Marinero al agua v61

IGR: 0180. Versión: 61. Rima: á-a. Hemistiquios 24.

Vimioso (c. Vimioso, dist. Bragança, Trás-os-Montes, Portugal)

Vozes dava o marinheiro,    vozes dava, que se afogava.
Respondeu-lhe o mau demónio    da a outra banda de água:
Quanto deras, ó marinheiro,    quem da água te sacara?
Dar-te-ia os meus navios,    carregados de ouro e prata.
Eu não quero os teus navios,    nem teu ouro, nem tua prata;
eu só quero, em tu morrendo,    que me deixes a tua alma.
Eu te arrenego, mau demónio,    e essa tua má palavra.
A minha alma é p`ra Deus,    p`ra Deus a tenho guardada;
o coração é para a Virgem    e o corpo para os peixes de água;
e a cabeça para as formigas,    que dela façam morada;
e as tripas são para os cegos,    para cordas das guitarras;
e as pernas são para os coxos,    que delas façam jornadas.

Otros datos:
Nota: -2b da a outra sic.

Bibliografía:
Recogido antes de 1906. Publicada en Tavares 1906, 319. Reeditada en RGP III 1909, (reed. facs. Braga 1985) 317-318; Chaves 1943b, 134; Chaves 1948, 383 y RºPortTOM2000, vol. 4, nº 1594, pp. 333-334. © Fundação Calouste Gulbenkian.