IGR: 0164+0100. Versión: 45. Rima: í-a. Hemistiquios 56.
Rapa (c. Celorico da Beira, dist. Guarda, Beira Alta, Portugal)
Indo o caçador à caça, à caça como se via,
encostou-s` `ò arvoredo, ao mais alto que lá havia.
Lá junto à meia-noute, um lindo cantar s` ouvia;
deitou seus olhos ao céu, viu lá estar uma donzilha;
a sombra do seu cabelo o arvoredo encobria.
Que fazeis aqui, menina, que fazeis aqui, donzilha?
Sete fadas me fadaram por sete anos e um dia;
hoje faz os sete anos, amanhã finda o meu dia.
Que comeis aqui, menina, que bubeis aqui, donzilha?
Como ervinha do monte e bebo da fonte fria.
Ponha-s` aqui a cavalo, entre albarda e silha.
Cavalo donde m` eu punha, logo arrebentaria.
De que se ri a menina, de que se ri a donzilha?
Rio-me do cavalheiro e da sua cobardia,
qu` achou menina no monte e guardou-le cortesia.
Vamos atrás, ó menina, vamos atrás, ó donzilha,
que as esporas do cavalo ficaram-me à fonte fria.
Adiante, cavalheiro, adiante co` a donzilha!
Se as suas eram de prata, meu pai d` ouro las daria,
que ele, em casa de meu pai, aos alqueires se media.
Dezei-me vós, ó menina, de que geração é nascida.
Sou filha dum rei de Espanha, e neta de um de Sevilha.
Pela rezão que vós dais, vós sois uma mana minha,
sete fadas a fadaram quando era pequenina.
Abra-m` as portas, mi` madre, abra-mas com alegria,
pensava que traria esposa, eu trago uma mana minha.
Se tu trazes filha minha, deita-ma aqui nos meus braços;
se ela vem para ser nora, qu` entre para aqueles palácios.
Notas e variantes de J. L. de Vasconcellos: -2a Em outra versão do mesmo lugar: arrimou-se. -4a Em outra versão do mesmo lugar: acima. -5b Em outra versão do mesmo lugar: assombraria. -6a Em outra versão do mesmo lugar: senhora. -8bA este verso seguiam-se, na outra versão, os seguintes: No ventre da minha madre / me chamaram Maria. -11b Na outra versão: em cima de. -12b Há uma falha. Assim ouvi a outra também. -21b Na outra versão: de que gente sois nascida. -22a Na outra versão: Castela. -23b sois sondes.