La Infantina+Caballero burlado v46

IGR: 0164+0100. Versión: 46. Rima: í-a. Hemistiquios 55.

Trancoso (c. Trancoso, dist. Guarda, Beira Alta, Portugal)

Indo caçador à caça,    a caçar como sabia,
su perro ia cansado,    o falcão cansado ia.
Olhara lá para o cimo,    . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
vira estar uma menina,    vira estar uma donzilha.
Que fazeis aqui, menina,    que fazeis aqui, donzilha?
Sete fadas me fadaram    no ventre de madre minha,
que viesse p`ra aqui sete anos,    sete anos e mais um dia.
Hoje s` acabam os sete,    amanhã s` acab` ò dia.
Pois deixa-te estar, menina,    deixa-te estar mais um dia;
eu te mandarei buscar    na maior cavalaria.
Se me tu hoje não levas,    amanhã não m` acharias;
dos mouros estarei cativa,    das áveis estarei comida.
Monta neste meu cavalo,    ou à anca, ou à silha.
À anca, à anca, senhor,    à anca que é cortesia.
Indo lá mui` adiente,    a menina se sorria.
De que te sorris, menina,    de que te sorris, minha vida?
Rio-me do cavalheiro    e da sua cobardia:
achar a menina no monte    e guardar-lhe cortesia!
Indo lá mais adiante,    uma espora era perdida.
Atrás, atrás, cavalheiro,    uma espora é perdida!
Adiente, cavalheiro,    qu` eu atrás não tornaria.
Se a espora era de prata,    meu pai d` ouro lha daria,
que o ouro, em nossa casa,    aos alqueires se media,
qu` eu sou filha do rei Constante,    da rainha Constantina.
Abra–m` as portas, mi` madre,    abra-mas com alegria,
cuidei que trazia amores    e trago uma mana minha.
Se ela é minha filha,    deitai-ma aqui nos meus braços;
s` ela é minha nora,    metei-ma nesses palácios.
Notas de J. L. de Vasconcellos: -2a Interpretam por: «se o cão ia cansado, o caçador também». -18a (niña). Há sílabas demais.    

Otros datos:
Nota del editor de RºPortTOM 2004: Omitimos a seguinte didascália: entre -24 e -25 Chagaram à porta do palácio. Diz ele.

Bibliografía:
Recitada por una señora de edad. Recogida en 1909. Publicada en Leite de Vasconcellos 1958-1960, I, 267-268. Reeditada en RºPortTOM 2004, vol. 4, nº 1317, pp. 72-73. © Fundação Calouste Gulbenkian.
[0169 Hermana cautiva contam.]