IGR: 0164. Versión: 16. Rima: í-a. Hemistiquios 49.
S. João (c. Lajes do Pico, isla de Pico, Portugal)
Caçador foi à caça, à caça de altanaria;
os cães já levam cansaço com seu falção se perdido.
Andando se le fez a noite, por uma noite sombria.
Arrumou-se a uma azinheira, à mais alta qu` ali havia.
Foi levantar os olhos, viu coisa de maravilha:
no mais alto da ramada, uma donzela tão linda,
com os cabelos da cabeça a mesma árvore vestia,
a luz dos olhos tão viva, todo o bosco alumia.
Ali falou a donzela, já vereis o que dizia:
Não te assustes, cavaleiro, não tenhas tamanha firma,
sou filha dum rei c`roado, duma bendita rainha.
Sete fadas me fadaram nos braços de minha madrinha,
qu` aqui `tivesse set` anos, set` anos, mais um dia.
Hoje s` acabam os anos, amanhã s` acaba o dia,
leva-me, por Deus te peiço, leva-me em tua companhia!
Espera-me aqui, donzela, até amanhã, que acaba o dia,
qu` eu vou tomar conselhos, conselhos com minha tia.
Já tornava o cavaleiro, apenas que rompia o dia;
vai correndo, vai chamando, a donzela não descobria.
Levantou os olhos ao longe, viu grande tripelaria,
que levavam na donzela, que já era o fim do dia.
O triste do cavaleiro a mão na espada metia,
por morto no chão caíu.
Oh, quem perdeu o qu` eu perdi, grande penar merecia,
justiça faço eu em mim mesmo e aqui acabo co` a vida!