IGR: 0113. Versión: 293. Rima: á-a+estróf.. Hemistiquios 84.
Cadaval (c. Cadaval, dist. Lisboa, Estremadura, Portugal)
`Stando a bela Infanta no seu jardim assintada,
com pente d` ouro na mão seu cabelo pintiava.
Deitou os olhos `ò mar, viu lá vir `ma linda armada,
capitão que nela vinha que tão bem a guiava!
Dizei-me, senhor capitão, dizei-me, por vossa alma,
si o homem que Deus me deu s` aí vem na sua armada.
Dizei-me, minha senhora, os sinais qu` ele levava.
Levava cavalo branco, cavalo branco levava,
a sela do seu cavalo era d` ouro pespontada.
Pelos sinais que vós me dais, lá o vi morto na guerra,
`ò pé de quinhasco verde, todo cheio de facadas,
a mais piquena de todas era a cabeça quebrada
Ai triste de mim, viúva! Ai triste de mim, coitada!
Três filhas que Deus me deu, sem nenhuma ser casada.
Dizei-me, minha senhora, dizei-me agora a mim,
o que daria a senhora a quem lho trouxera aqui?
Dava-lhe as minhas três filhas, qu` aqui tenho ao pé de mim:
uma para o vestir, a outra para o calçar,
a mais bonita de todas para consigo casar.
Não quero as vossas filhas, que me não pertencem a mim.
O que daria a senhora a quem lho trouxera aqui?
As telhas do meu telhado, que são di ouro e marafim.
Não quero as vossas telhas, que me não pertencem a mim.
Que daria a senhora a quem lho trouxera aqui?
Dava-lhe três laranjais que ele me deixou a mim.
Não quero os vossos laranjais, que me não pertencem a mim.
Que daria a senhora a quem lho trouxera aqui?
Dava-lhe três moinhos que ele me deixou a mim:
um de moer canela, outro de pau de jelim,
outro de moer farinha do dia em que m` arrecebi.
Não quero os vossos moinhos, que me não pertencem a mim.
Que daria a senhora a quem lho trouxera aqui?
Não tenho mais que lhe dar, nem vós mais que me pedir.
Eu só queria a senhora, esse corpinho gentil.
Arrenego de cavalheiro que tanto chega a pedir!
Merece bem de ir à guerra, e à guerra merece de ir.
Mando chamar meus criados: Matai-mo já aqui!
Não tenho medo dos vossos criados, qu` eles criados são de mim!
O anel de sete pedras qu` eu contigo reparti,
pois que é da tua ametade, pois a minha vê-l` aqui?
Se tu eras o meu marido, p`ra que zombavas de mim?
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