Señas del esposo v294

IGR: 0113. Versión: 294. Rima: á-a+í. Hemistiquios 56.

Murteira (c. Loures, dist. Lisboa, Estremadura, Portugal)

[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]    `Tando eu no mê jardim sintada,
com pinteador na mão    mês cabelos pintiava.
Dêtei os olhos ao mar    vi vir uma grande armada,
capitão que vinha nela    munto beim a governava.
Ê le perguntêi . . . . . . . . .    [. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]
se tinha visto o mê marido    por aquela desgarrada.
Não no vi nem no conheço    nem sinais que ele levava.
Levava cavalo branco    [. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]
levava uma sela ao pêito    todo o atormentava.
Pois, sinhora, pois, sinhora,    lá o vi naquela armada,
[. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]    com vinte e cinco facadas,
e a mais pecanina delas    todas era a cabeça cortada.
O que dabas bós, sinhora,    a quem no trouxera aqui?
Uma laranjêra d` ouro    que tênho no mê jardim.
Nã quero as vossas larenjas    que me não purtence a mim.
Três moinhos que tinha,    [. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]
um de moer canela,    outro de pau de gelim,
outro de sopinhas alvas    que eu agora como aqui.
Nã quero os vosso moinhos    que me não purtence a mim.
O que dabas bós, sinhora,    a queim no trouxera aqui?
As têlhas do mê telhado    que são de ouro e marafim.
Nã quero as vossas têlhas    que me não purtence a mim.
O que dabas bós, sinhora    a queim no trouxera aqui?
Nã tenho más que le dar    neim o sinhor que me pudir!
Peço-le o seu coração    para com ele dormir.
Cavalhêro tanto pede,    tanto s` atreve a pudir
precisava d` arrastado,    [. . . . . . . . . . . . . . . . . . .]
`ò rabo do meu cavalo,    à roda do mê jardim.
E o anel de sete pedras    que eu contigo reparti,
ca dela a tua ametade    que a minha vêzi-a aqui?
Se tu eras mê marido    p`ra que mangastes assi?

Otros datos:
Título original Bela Infanta.

Bibliografía:
Recitada por Adelaide (66a). Recogido antes de 1957. Publicada en Costa 1957, 422-424; Costa 1961, 315. Reeditada en Galhoz 1987-1988, I. 100 y RºPortTOM 2001, vol. 2, nº 421, pp. 108-109. © Fundação Calouste Gulbenkian.